HMAR - Hospital Memorial Arthur Ramos (AL) — Prova 2020
São alterações esperadas no paciente com síndrome compartimental abdominal com pressão intra-abdominal de 35 mmHg:
SCA (PAI > 20 mmHg) → ↑ PAI → ↓ retorno venoso, ↓ débito cardíaco, ↓ perfusão renal (oligúria).
Na síndrome compartimental abdominal (SCA), o aumento da pressão intra-abdominal (PAI) comprime a veia cava inferior, diminuindo o retorno venoso e, consequentemente, o débito cardíaco. A compressão renal e a redução da perfusão levam à oligúria.
A Síndrome Compartimental Abdominal (SCA) é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada por um aumento sustentado da pressão intra-abdominal (PAI) acima de 20 mmHg, associado a nova disfunção orgânica. A hipertensão intra-abdominal (HIA) é um precursor da SCA, e sua monitorização é crucial em pacientes críticos, especialmente aqueles com trauma abdominal, sepse grave, pancreatite aguda ou grandes volumes de ressuscitação volêmica. A fisiopatologia da SCA envolve uma cascata de eventos deletérios. O aumento da PAI comprime os órgãos abdominais e os grandes vasos, como a veia cava inferior. Essa compressão reduz significativamente o retorno venoso ao coração, levando a uma diminuição da pré-carga e, consequentemente, do débito cardíaco. Além disso, a elevação da PAI compromete a perfusão renal e a filtração glomerular, resultando em oligúria ou anúria, e pode levar à insuficiência renal aguda. Outros sistemas também são afetados, incluindo o respiratório (elevação do diafragma, redução da complacência pulmonar), neurológico (aumento da pressão intracraniana) e gastrointestinal (isquemia intestinal). O reconhecimento precoce da SCA e a intervenção, que pode incluir a descompressão cirúrgica (laparotomia descompressiva), são vitais para reverter a disfunção orgânica e melhorar o prognóstico. Para o residente, entender a fisiopatologia e as manifestações clínicas da SCA é fundamental para o manejo adequado de pacientes críticos.
A SCA é diagnosticada pela presença de hipertensão intra-abdominal (PAI persistentemente > 20 mmHg) associada a nova disfunção orgânica. A PAI é medida preferencialmente via bexiga.
A PAI elevada comprime a veia cava inferior, diminuindo o retorno venoso ao coração. Isso leva a uma redução do pré-carga, do volume sistólico e, consequentemente, do débito cardíaco.
A oligúria ocorre devido à compressão direta dos rins e dos vasos renais pela PAI elevada, resultando em redução do fluxo sanguíneo renal e da taxa de filtração glomerular, além da diminuição do débito cardíaco que compromete a perfusão renal.
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