Síndrome Compartimental Abdominal: Diagnóstico e Manejo

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2015

Enunciado

Assinale a opção ERRADA acerca da síndrome compartimental abdominal:

Alternativas

  1. A) Define-se como sendo o aumento da pressão intra-abdominal (PIA) acima de 12 mmHg.
  2. B) Níveis em torno de 12 mmHg de PIA habitualmente não apresentam disfunção orgânica.
  3. C) Deve-se afetuar descompressão cirúrgica em níveis de PIA superiores a 16 mmHg, se abdome está tenso e sinais de disfunção ventilatória se desenvolvem.
  4. D) Observa-se elevação das pressões de enchimento de átrio direito e intracraniana.
  5. E) Em casos de síndrome compartimental abdominal, a pressão wedge pulmonar (pressão do capilar pulmonar encunhada) e a pressão de pico à ventilação mecânica estão elevadas e desenvolve-se acidose.

Pérola Clínica

SCA: descompressão cirúrgica indicada se PIA > 20-25 mmHg com disfunção orgânica, não 16 mmHg.

Resumo-Chave

A descompressão cirúrgica para síndrome compartimental abdominal (SCA) é uma intervenção crítica que deve ser considerada quando a pressão intra-abdominal (PIA) excede 20-25 mmHg e há sinais de disfunção orgânica progressiva, como insuficiência respiratória ou renal. A alternativa C está incorreta ao indicar 16 mmHg como limiar para descompressão cirúrgica.

Contexto Educacional

A Síndrome Compartimental Abdominal (SCA) é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada pelo aumento sustentado da pressão intra-abdominal (PIA) que compromete a perfusão de órgãos e sistemas. Sua prevalência é maior em pacientes críticos, especialmente aqueles com trauma abdominal, sepse grave, pancreatite aguda ou grandes volumes de ressuscitação volêmica. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir a falência de múltiplos órgãos e reduzir a mortalidade. A fisiopatologia da SCA envolve a compressão de vasos sanguíneos e órgãos, resultando em isquemia e disfunção. O aumento da PIA eleva a pressão intratorácica, comprometendo a ventilação e a oxigenação, e a pressão intracraniana, reduzindo a perfusão cerebral. O diagnóstico é baseado na medição da PIA (geralmente via cateter vesical) e na presença de disfunção orgânica. É fundamental suspeitar de SCA em pacientes com fatores de risco e deterioração clínica inexplicada. O tratamento da SCA inclui medidas clínicas para reduzir a PIA, como sedação, relaxamento muscular, drenagem de coleções e otimização do balanço hídrico. No entanto, a descompressão cirúrgica (laparotomia descompressiva) é a intervenção definitiva quando a PIA excede 20-25 mmHg e há disfunção orgânica progressiva, apesar das medidas conservadoras. A decisão de intervir cirurgicamente deve ser rápida para evitar danos irreversíveis aos órgãos.

Perguntas Frequentes

Qual a definição de síndrome compartimental abdominal?

A síndrome compartimental abdominal (SCA) é definida pela presença de disfunção ou falência orgânica progressiva devido ao aumento sustentado da pressão intra-abdominal (PIA) acima de 20-25 mmHg.

Quando a descompressão cirúrgica é indicada na SCA?

A descompressão cirúrgica é indicada na SCA quando a PIA se mantém elevada (geralmente > 20-25 mmHg) e há evidência de disfunção orgânica progressiva, como insuficiência renal, respiratória ou cardiovascular, que não responde a medidas clínicas.

Quais são as consequências fisiopatológicas da SCA?

A SCA causa compressão de órgãos abdominais e vasos, levando a disfunção renal (oligúria), respiratória (elevação da pressão de pico), cardiovascular (diminuição do débito cardíaco) e cerebral (aumento da pressão intracraniana).

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