HPM - Hospital da Polícia Militar de Minas Gerais — Prova 2020
Você está acompanhando no CTI uma paciente de 48 anos, em pós-operatório de ressecção oncológica ampliada devido a um volumoso lipossarcoma retroperitoneal, sendo o ato cirúrgico descrito como sem intercorrências, apesar do tempo cirúrgico prolongado. No 1° DPO (dia pós-operatório) a paciente evolui com distensão abdominal e hipotensão refratária à infusão de volume, necessitando doses crescentes de vasopressores, e sem melhora hemodinâmica. Você suspeita então tratar-se de um quadro de Síndrome Compartimental Abdominal. Com relação ao caso clínico exposto, analise as afirmativas abaixo: I - A aferição indireta da Pressão Intra-abdominal permanece como padrão ouro para definição do diagnóstico e auxílio na decisão terapêutica. II - O diagnóstico de Síndrome Compartimental Abdominal ocorre quando a Pressão Intra-abdominal é maior que 12 mmHg, associada a falência de um ou mais sistemas orgânicos. III - Trata-se provavelmente de um caso de Síndrome Compartimental Abdominal primária, podendo estar associada a um hematoma retroperitoneal volumoso ou reposição volêmica vigorosa. IV - A Síndrome Compartimental Abdominal é causa de insuficiência renal aguda por obstrução pós-renal, e a intervenção precoce nesses casos pode evitar o desenvolvimento de lesão renal. V - O aumento da pressão intra-abdominal está associado a insuficiência cardíaca congestiva, devido a aumento do retorno venoso, além de acidose respiratória e agravamento da hipertensão intracraniana. Estão CORRETAS as assertivas:
SCA: PIA > 12 mmHg + falência orgânica. Aferição indireta da PIA é padrão ouro para diagnóstico e decisão terapêutica.
A Síndrome Compartimental Abdominal (SCA) é uma condição grave caracterizada por aumento da Pressão Intra-abdominal (PIA) que compromete a perfusão de órgãos. A aferição indireta da PIA, geralmente via bexiga, é crucial para o diagnóstico e monitoramento, sendo o tratamento a descompressão abdominal para evitar falência de múltiplos órgãos.
A Síndrome Compartimental Abdominal (SCA) é uma condição grave que ocorre quando a Pressão Intra-abdominal (PIA) aumenta a ponto de comprometer a função de múltiplos órgãos. É uma complicação comum em pacientes críticos, especialmente após cirurgias abdominais complexas, traumas ou grandes reposições volêmicas. O reconhecimento precoce é vital para o prognóstico. A fisiopatologia envolve a compressão de vasos sanguíneos e órgãos, levando a diminuição do retorno venoso, redução do débito cardíaco, insuficiência renal aguda por compressão e isquemia, e comprometimento respiratório devido à elevação diafragmática. O diagnóstico é estabelecido quando a PIA é maior que 12 mmHg e há falência de um ou mais sistemas orgânicos, sendo a aferição indireta da PIA (via bexiga) o padrão ouro. O tratamento visa reduzir a PIA e restaurar a perfusão orgânica. Medidas conservadoras incluem otimização da volemia, sedação, bloqueio neuromuscular e drenagem de coleções. No entanto, em casos de SCA estabelecida e progressão da falência orgânica, a descompressão cirúrgica abdominal é a intervenção definitiva e deve ser realizada precocemente para evitar danos irreversíveis.
O diagnóstico da Síndrome Compartimental Abdominal é feito pela aferição indireta da Pressão Intra-abdominal (PIA), que deve ser maior que 12 mmHg, associada à falência de um ou mais sistemas orgânicos. A aferição via bexiga é o padrão ouro.
A SCA pode levar a insuficiência renal aguda (por compressão vascular e renal), insuficiência respiratória (elevação diafragmática), hipotensão refratária (diminuição do retorno venoso e débito cardíaco) e agravamento da hipertensão intracraniana.
A conduta inicial inclui monitoramento rigoroso da PIA, otimização da volemia, uso de diuréticos e, se necessário, sedação e bloqueio neuromuscular. Em casos refratários e com falência orgânica progressiva, a descompressão cirúrgica abdominal é indicada.
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