ENARE/ENAMED — Prova 2021
Referente ao choque hemorrágico e seu tratamento, assinale a alternativa correta.
Choque hemorrágico: ressuscitação volêmica agressiva pode causar síndrome compartimental abdominal.
A reanimação volêmica no choque hemorrágico, especialmente com grandes volumes de cristaloides, pode levar ao edema tecidual e aumento da pressão intra-abdominal, resultando em síndrome compartimental abdominal, uma complicação grave que exige monitoramento e intervenção.
O choque hemorrágico é uma condição grave que resulta da perda aguda de volume sanguíneo, levando à perfusão tecidual inadequada e disfunção orgânica. É uma das principais causas de mortalidade em pacientes traumatizados e em cirurgias de grande porte. O reconhecimento precoce e a intervenção rápida são cruciais para a sobrevida do paciente, sendo um tema de extrema importância para residentes de cirurgia e emergência. A ressuscitação volêmica é a pedra angular do tratamento, visando restaurar a perfusão e oxigenação tecidual. No entanto, a infusão excessiva de fluidos, especialmente cristaloides, pode levar a complicações como a "tríade letal" (hipotermia, acidose e coagulopatia) e a síndrome compartimental abdominal. Esta última ocorre devido ao aumento da pressão intra-abdominal, comprometendo a função de órgãos como rins, pulmões e intestino, e exigindo descompressão cirúrgica em casos graves. O manejo moderno do choque hemorrágico enfatiza a ressuscitação com controle de danos, que inclui a transfusão balanceada de hemoderivados (hemácias, plasma e plaquetas) e a restrição de cristaloides. O objetivo é evitar a diluição dos fatores de coagulação e a sobrecarga volêmica, minimizando as complicações e otimizando os resultados para o paciente. A monitorização contínua e a reavaliação são essenciais para guiar o tratamento.
Os sinais incluem aumento da pressão intra-abdominal, distensão abdominal, oligúria, aumento da pressão inspiratória e hipotensão refratária. A monitorização da pressão intra-abdominal é crucial para o diagnóstico precoce.
A infusão rápida e volumosa de fluidos, especialmente cristaloides, pode levar a edema sistêmico e intestinal, aumentando a pressão dentro da cavidade abdominal e comprometendo a perfusão de órgãos vitais como rins, pulmões e intestino.
A conduta inicial envolve a transfusão de hemoderivados (concentrado de hemácias, plasma fresco congelado, plaquetas) em proporções balanceadas, além de considerar agentes pró-coagulantes como o ácido tranexâmico para controle do sangramento.
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