Choque Hemorrágico: Complicações da Ressuscitação Volêmica

ENARE/ENAMED — Prova 2021

Enunciado

Referente ao choque hemorrágico e seu tratamento, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Na maioria dos casos, é necessária intervenção cirúrgica imediata.
  2. B) Pacientes adultos com hipotensão, mesmo após reposição de 500mL de solução eletrolítica, precisam de transfusão sanguínea.
  3. C) O tratamento do choque hemorrágico pode gerar síndrome compartimental abdominal.
  4. D) A reanimação no choque deve ser feita com infusão de coloides em bólus.
  5. E) A coagulopatia é comum nos pacientes que precisam de transfusão maciça, sendo necessária a infusão de anticoagulantes.

Pérola Clínica

Choque hemorrágico: ressuscitação volêmica agressiva pode causar síndrome compartimental abdominal.

Resumo-Chave

A reanimação volêmica no choque hemorrágico, especialmente com grandes volumes de cristaloides, pode levar ao edema tecidual e aumento da pressão intra-abdominal, resultando em síndrome compartimental abdominal, uma complicação grave que exige monitoramento e intervenção.

Contexto Educacional

O choque hemorrágico é uma condição grave que resulta da perda aguda de volume sanguíneo, levando à perfusão tecidual inadequada e disfunção orgânica. É uma das principais causas de mortalidade em pacientes traumatizados e em cirurgias de grande porte. O reconhecimento precoce e a intervenção rápida são cruciais para a sobrevida do paciente, sendo um tema de extrema importância para residentes de cirurgia e emergência. A ressuscitação volêmica é a pedra angular do tratamento, visando restaurar a perfusão e oxigenação tecidual. No entanto, a infusão excessiva de fluidos, especialmente cristaloides, pode levar a complicações como a "tríade letal" (hipotermia, acidose e coagulopatia) e a síndrome compartimental abdominal. Esta última ocorre devido ao aumento da pressão intra-abdominal, comprometendo a função de órgãos como rins, pulmões e intestino, e exigindo descompressão cirúrgica em casos graves. O manejo moderno do choque hemorrágico enfatiza a ressuscitação com controle de danos, que inclui a transfusão balanceada de hemoderivados (hemácias, plasma e plaquetas) e a restrição de cristaloides. O objetivo é evitar a diluição dos fatores de coagulação e a sobrecarga volêmica, minimizando as complicações e otimizando os resultados para o paciente. A monitorização contínua e a reavaliação são essenciais para guiar o tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de síndrome compartimental abdominal no choque hemorrágico?

Os sinais incluem aumento da pressão intra-abdominal, distensão abdominal, oligúria, aumento da pressão inspiratória e hipotensão refratária. A monitorização da pressão intra-abdominal é crucial para o diagnóstico precoce.

Por que a ressuscitação volêmica pode causar síndrome compartimental abdominal?

A infusão rápida e volumosa de fluidos, especialmente cristaloides, pode levar a edema sistêmico e intestinal, aumentando a pressão dentro da cavidade abdominal e comprometendo a perfusão de órgãos vitais como rins, pulmões e intestino.

Qual a conduta inicial na coagulopatia associada ao choque hemorrágico?

A conduta inicial envolve a transfusão de hemoderivados (concentrado de hemácias, plasma fresco congelado, plaquetas) em proporções balanceadas, além de considerar agentes pró-coagulantes como o ácido tranexâmico para controle do sangramento.

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