Síndrome Compartimental Abdominal: Diagnóstico e Manejo

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 45 anos de idade, é admitida, em UTI, consciente e orientada, em ar ambiente, e estável hemodinamicamente em pós-operatório imediato de cirurgia plástica. Segundo a equipe, o procedimento transcorreu sem intercorrências e consistiu em mamoplastia redutora com prótese e abdominoplastia com dermolipectomia. Após 4 horas da admissão, a paciente evoluiu com insuficiência respiratória, necessidade de ventilação mecânica e instabilidade hemodinâmica, necessitando de doses crescentes de droga vasoativa. Acompanhava oligúria, aumento da pCO₂ e diminuição da pO₂ arteriais. Considerando a principal hipótese etiológica para essa complicação, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a(s) conduta(s) diagnóstica(s) para o caso, nesse momento.

Alternativas

  1. A)  Angiotomografia de tórax e ecocardiograma.
  2. B) Hemocultura e radiografia de tórax.
  3. C) Medida da pressão intravesical.
  4. D)  Troponina e eletrocardiograma.
  5. E) Tomografia de abdome com contraste.

Pérola Clínica

Pós-abdominoplastia com instabilidade hemodinâmica e respiratória → suspeitar Síndrome Compartimental Abdominal (SCA) → medir pressão intravesical.

Resumo-Chave

A Síndrome Compartimental Abdominal é uma complicação grave do pós-operatório, especialmente após cirurgias abdominais extensas como a abdominoplastia. A elevação da pressão intra-abdominal compromete a função respiratória, hemodinâmica e renal, sendo a medida da pressão intravesical o método diagnóstico mais acessível e confiável.

Contexto Educacional

A Síndrome Compartimental Abdominal (SCA) é uma condição grave caracterizada pela elevação sustentada da pressão intra-abdominal (PIA) acima de 20 mmHg, associada a nova disfunção ou falência orgânica. É uma complicação potencialmente fatal, especialmente em pacientes submetidos a cirurgias abdominais extensas, como a abdominoplastia, ou em casos de trauma e sepse. Sua incidência pode variar, mas o reconhecimento precoce é crucial para o prognóstico. A fisiopatologia envolve a compressão de órgãos e vasos sanguíneos intra-abdominais, levando a disfunção respiratória (elevação do diafragma, atelectasias, hipoxemia, hipercapnia), cardiovascular (diminuição do retorno venoso, débito cardíaco e hipotensão), renal (oligúria por compressão renal e diminuição da perfusão) e cerebral. A suspeita clínica é fundamental, e o diagnóstico é confirmado pela medida da pressão intravesical, que reflete indiretamente a PIA. O tratamento da SCA é uma emergência cirúrgica, sendo a descompressão abdominal (laparotomia descompressiva) a medida mais eficaz para reduzir a PIA e reverter a disfunção orgânica. Medidas clínicas iniciais incluem otimização hemodinâmica, sedação e relaxamento muscular. O prognóstico está diretamente relacionado à rapidez do diagnóstico e da intervenção.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais de Síndrome Compartimental Abdominal?

Os sinais incluem distensão abdominal, insuficiência respiratória (taquipneia, hipoxemia, hipercapnia), instabilidade hemodinâmica (hipotensão, necessidade de vasopressores) e oligúria ou anúria.

Como é feito o diagnóstico da Síndrome Compartimental Abdominal?

O diagnóstico é feito pela medida da pressão intra-abdominal (PIA), sendo a medida da pressão intravesical (pressão na bexiga) o método mais comum e confiável, com valores acima de 20 mmHg associados a disfunção orgânica.

Qual a conduta inicial na Síndrome Compartimental Abdominal?

A conduta inicial envolve otimização hemodinâmica, sedação e relaxamento muscular. O tratamento definitivo é a descompressão abdominal cirúrgica (laparotomia descompressiva) para reduzir a PIA e reverter a disfunção orgânica.

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