UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025
Sobre a síndrome compartimental abdominal, assinale a alternativa correta.
SCA = PIA > 20 mmHg + nova disfunção orgânica. O manejo é escalonado: descompressão gástrica, sedação/bloqueio neuromuscular e balanço hídrico negativo antes da laparotomia.
A Síndrome Compartimental Abdominal (SCA) é uma emergência definida por pressão intra-abdominal (PIA) > 20 mmHg com disfunção orgânica. O tratamento é escalonado, iniciando com medidas clínicas para reduzir a PIA antes de indicar a laparotomia descompressiva.
A Síndrome Compartimental Abdominal (SCA) é uma complicação grave em pacientes críticos, caracterizada por uma pressão intra-abdominal (PIA) sustentadamente elevada (> 20 mmHg) que leva à disfunção de múltiplos órgãos. É precedida pela Hipertensão Intra-Abdominal (HIA), definida como PIA > 12 mmHg. As causas são variadas, incluindo trauma, sepse, pancreatite e grandes reposições volêmicas. A fisiopatologia da SCA envolve a compressão de órgãos e vasos intra-abdominais. Isso resulta em redução do retorno venoso (pré-carga), aumento da pós-carga, compressão do parênquima renal com queda da filtração glomerular, elevação do diafragma com piora da mecânica ventilatória e aumento da pressão intracraniana por dificuldade de drenagem venosa cerebral. O manejo é escalonado e visa reduzir a PIA. As medidas iniciais incluem sedação, analgesia, descompressão gástrica e colônica, e otimização do balanço hídrico (evitando hiper-hidratação e promovendo diurese ou diálise). O uso de bloqueadores neuromusculares pode ser eficaz para relaxar a parede abdominal. A laparotomia descompressiva, um procedimento cirúrgico para abrir a cavidade abdominal, é reservada para casos refratários ao tratamento clínico, quando a disfunção orgânica progride apesar das medidas conservadoras.
O diagnóstico é feito pela medição da pressão intra-abdominal (PIA), geralmente através de um cateter vesical, que revela uma PIA sustentada > 20 mmHg, associada ao surgimento de uma nova disfunção ou falência de órgãos (ex: oligúria, hipoxemia, hipotensão).
A conduta inicial é escalonada e visa reduzir a PIA. Inclui sedação e analgesia adequadas, descompressão do trato gastrointestinal com sonda nasogástrica e retal, uso de bloqueadores neuromusculares, e otimização do balanço hídrico, buscando a euvolemia ou um balanço negativo.
A elevação do diafragma pela alta PIA reduz a complacência pulmonar, causando atelectasias, hipoxemia e exigindo altas pressões ventilatórias. Nos rins, a compressão direta das veias e parênquima renais diminui o fluxo sanguíneo e a taxa de filtração glomerular, levando à oligúria e insuficiência renal aguda.
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