PSU PRMMT - Processo Seletivo Unificado de Residência Médica do MT — Prova 2025
Paciente de 62 anos, submetido a uma laparotomia exploradora por isquemia mesentérica, evolui, no segundo dia de pós-operatório, com aumento da distensão abdominal, oligúria, dificuldade ventilatória com elevação da pressão de vias aéreas e acidose metabólica progressiva. O exame físico revela abdome tenso e doloroso. A pressão intra-abdominal medida via cateter vesical é de 24 mmHg. Qual é o diagnóstico e a conduta mais indicada?
PIA > 20 mmHg + disfunção orgânica = Síndrome Compartimental Abdominal → Descompressão cirúrgica.
A Síndrome Compartimental Abdominal (SCA) é uma complicação grave do pós-operatório, especialmente após cirurgias abdominais extensas. A elevação da pressão intra-abdominal (PIA) acima de 20-25 mmHg, associada a disfunção de múltiplos órgãos (renal, respiratória, cardiovascular), exige descompressão cirúrgica urgente para evitar danos irreversíveis e morte.
A Síndrome Compartimental Abdominal (SCA) é uma condição grave caracterizada pela elevação sustentada da pressão intra-abdominal (PIA) acima de 20-25 mmHg, associada a nova disfunção ou falência de órgãos. É uma complicação comum em pacientes críticos, especialmente após cirurgias abdominais complexas, traumas ou sepse, e sua incidência pode chegar a 30% em UTIs cirúrgicas. O reconhecimento precoce é crucial para o prognóstico. A fisiopatologia da SCA envolve a compressão de órgãos e vasos sanguíneos intra-abdominais, levando à redução do fluxo sanguíneo para órgãos como rins, intestino e fígado, além de comprometer o retorno venoso e a função pulmonar devido à elevação do diafragma. O diagnóstico é clínico, com a medição da PIA via cateter vesical sendo o padrão-ouro. A suspeita deve surgir em pacientes com distensão abdominal, oligúria, acidose metabólica e dificuldade ventilatória. O tratamento da SCA é primariamente a descompressão cirúrgica de emergência, geralmente por laparotomia descompressiva, para aliviar a pressão e restaurar a perfusão orgânica. Medidas clínicas como sedação, relaxamento muscular e otimização da volemia podem ser tentadas em casos leves, mas a cirurgia é imperativa em SCA estabelecida. O atraso no tratamento aumenta significativamente a morbimortalidade.
Distensão abdominal progressiva, oligúria, dificuldade ventilatória com elevação da pressão de vias aéreas, acidose metabólica e abdome tenso são sinais clássicos de SCA.
A PIA é comumente medida de forma indireta através de um cateter vesical, com valores acima de 20-25 mmHg indicando hipertensão intra-abdominal grave.
A SCA não tratada leva à disfunção de múltiplos órgãos, como insuficiência renal, respiratória e cardiovascular, podendo resultar em isquemia intestinal e morte.
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