FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Mulher, 49 anos de idade, vítima de trauma abdominal contuso, deu entrada ao pronto-socorro com dor abdominal. Exame físico: PA = 85 x 55 mmHg; FC = 132 bpm. Tórax sem alterações. Abdome: distendido e descompressão brusca dolorosa. Toque retal: sem alteração. Ultrassonografia FAST: líquido livre nos espaços de Morrison e Traube. Realizada reanimação volêmica e laparotomia exploradora com reparação das lesões intracavitárias. Durante o ato cirúrgico foram administrados 3 L de solução cristaloide, 4 unidades de concentrado de hemácias, 4 unidades de plasma fresco congelado e 4 unidades de concentrado de plaquetas. No terceiro dia de pós-operatório, sob ventilação mecânica, a pressão intra-abdominal (PIA) é de 30 mmHg. A paciente iniciou quadro de oligúria e aumento dos níveis de ureia e creatinina, com piora do estado geral. O diagnóstico e a conduta mais indicada diante do caso são, respectivamente:
PIA > 20 mmHg + Disfunção Orgânica (Oligúria/IRA) = Síndrome Compartimental Abdominal → Descompressão Cirúrgica.
A Síndrome Compartimental Abdominal (SCA) ocorre quando a pressão intra-abdominal elevada causa falência de órgãos. No Grau IV (PIA > 25 mmHg), a conduta imediata é a laparotomia descompressiva com fechamento temporário (peritoneostomia).
A Síndrome Compartimental Abdominal (SCA) é uma complicação crítica em pacientes cirúrgicos graves e vítimas de trauma. A fisiopatologia envolve a compressão da veia cava inferior (reduzindo pré-carga), compressão do parênquima renal (ativando sistema renina-angiotensina e causando oligúria) e elevação do diafragma (prejudicando a ventilação mecânica). O tratamento definitivo para o Grau IV é a descompressão cirúrgica imediata. A técnica de peritoneostomia (abdome aberto), frequentemente utilizando a 'bolsa de Bogotá' ou sistemas de fechamento a vácuo, é essencial para permitir que as vísceras edemaciadas se expandam sem restrição pressórica, prevenindo a falência multiorgânica irreversível.
O diagnóstico é clínico-laboratorial, definido pela presença de uma Pressão Intra-abdominal (PIA) sustentada acima de 20 mmHg associada a uma nova disfunção ou falência de órgãos (como oligúria, aumento de creatinina, hipoxemia ou hipotensão). A medida da PIA é geralmente realizada de forma indireta através da pressão intravesical (cateter de Foley).
A HIA é classificada em: Grau I (12-15 mmHg), Grau II (16-20 mmHg), Grau III (21-25 mmHg) e Grau IV (> 25 mmHg). A Síndrome Compartimental Abdominal (SCA) propriamente dita geralmente se manifesta a partir do Grau III, mas é mandatória no Grau IV com disfunção orgânica.
Grandes volumes de cristaloides e hemoderivados levam a um estado inflamatório sistêmico com extravasamento capilar. Isso resulta em edema maciço das alças intestinais, do mesentério e da parede abdominal, além de ascite inflamatória, aumentando rapidamente o volume do conteúdo intra-abdominal dentro de uma cavidade de complacência limitada.
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