Síndrome Compartimental Abdominal em Queimados: Diagnóstico e Manejo

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2024

Enunciado

Paciente, sexo masculino, 27 anos, sem comorbidades, altura de 172 cm e peso de 68 kg, foi encaminhado ao pronto atendimento após ter 45% de sua superfície corporal queimada e inalação de fumaça. Apresentava queimaduras de segundo e terceiro grau. Recebeu quinze litros de cristaloide na ressuscitação volêmica, com necessidade de intubação orotraqueal e foi encaminhado para Unidade de Tratamento de Queimados. Após 3 dias, iniciou quadro de distensão abdominal com fácies de dor a palpação, hipotensão, piora da mecânica ventilatória, hipoxemia e oligúria. No exame físico, apresentava ascite e crepitações teleinspiratórias bibasais. No exame laboratorial, apresentava discreta anemia, leucograma aumentado e plaquetose, níveis elevados de lactato e piora da função renal. Baseado na hipótese diagnóstica, a conduta a ser realizada para resolução do problema apresentado pelo paciente é:

Alternativas

  1. A) Paracentese.
  2. B) Peritoneostomia.
  3. C) Antibioticoterapia.
  4. D) Hidratação venosa.

Pérola Clínica

Grandes queimados + ressuscitação volêmica agressiva + distensão abdominal + oligúria + piora ventilatória → Síndrome Compartimental Abdominal, tratar com peritoneostomia.

Resumo-Chave

A Síndrome Compartimental Abdominal é uma complicação grave em pacientes com grandes queimaduras e ressuscitação volêmica maciça. Caracteriza-se por aumento da pressão intra-abdominal, levando a disfunção orgânica (renal, respiratória, cardiovascular). A descompressão cirúrgica (peritoneostomia) é a conduta salvadora.

Contexto Educacional

A Síndrome Compartimental Abdominal (SCA) é uma condição grave caracterizada por um aumento sustentado da pressão intra-abdominal (PIA) que compromete a perfusão orgânica e leva à disfunção de múltiplos sistemas. Em pacientes com grandes queimaduras, a SCA é uma complicação temida, frequentemente precipitada pela ressuscitação volêmica maciça necessária para combater o choque hipovolêmico e o edema tecidual generalizado. A fisiopatologia envolve o extravasamento capilar massivo e o edema tecidual induzido pela resposta inflamatória sistêmica à queimadura, agravado pela infusão de grandes volumes de fluidos. O aumento da PIA comprime o diafragma, dificultando a ventilação e causando hipoxemia; comprime os vasos renais, levando à oligúria e insuficiência renal; e reduz o retorno venoso e o débito cardíaco, resultando em hipotensão e choque. O diagnóstico da SCA é clínico, com sinais como distensão abdominal, dor à palpação, piora da mecânica ventilatória, oligúria e hipotensão, e pode ser confirmado pela medição da PIA (geralmente via cateter vesical). A conduta mais eficaz e salvadora é a descompressão cirúrgica do abdome, realizada através de uma peritoneostomia, que alivia a pressão e permite a recuperação da função orgânica, sendo crucial para a sobrevida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para Síndrome Compartimental Abdominal em queimados?

Grandes queimaduras (especialmente >20% SCQ), ressuscitação volêmica agressiva com grandes volumes de cristaloides, presença de escaras circunferenciais no tronco e sepse são fatores de risco importantes.

Como a Síndrome Compartimental Abdominal afeta os sistemas orgânicos?

O aumento da pressão intra-abdominal comprime órgãos e vasos, levando a disfunção renal (oligúria), respiratória (piora da mecânica ventilatória, hipoxemia), cardiovascular (hipotensão, diminuição do débito cardíaco) e intestinal (isquemia).

Qual o tratamento definitivo para a Síndrome Compartimental Abdominal?

O tratamento definitivo é a descompressão cirúrgica do abdome, geralmente por meio de uma laparotomia descompressiva (peritoneostomia), que alivia a pressão e permite a recuperação da função orgânica.

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