UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2021
Decorre da compressão do feixe vasculonervoso consequente ao grande edema que se desenvolve no membro atingido, produzindo isquemia de extremidades. As manifestações mais importantes são: dor intensa, parestesia, diminuição da temperatura do segmento distal, cianose e déficit motor.SOUSA, T. C. J. Picadas de cobras, aranhas e escorpiões. In: GUSSO G. (Org.); LOPES, J. M. C. (Org.); DIAS, L. C. Tratado de Medicina de Família e Comunidade: princípios, formação e prática. 2a. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.A descrição se refere a uma das possíveis complicações de acidentes com animais peçonhentos considerados graves. Assinale a alternativa em que está corretamente nomeada.
Dor intensa desproporcional, parestesia, déficit motor após edema em membro → Síndrome Compartimental.
A síndrome compartimental é uma emergência cirúrgica caracterizada pelo aumento da pressão dentro de um compartimento fascial fechado, levando à compressão do feixe vasculonervoso, isquemia e necrose tecidual. É uma complicação grave de acidentes com animais peçonhentos que causam grande edema local.
A síndrome compartimental é uma condição grave e emergencial que ocorre quando a pressão dentro de um compartimento muscular fechado aumenta a ponto de comprometer a perfusão sanguínea e a função nervosa dos tecidos contidos. Essa elevação de pressão pode ser causada por diversos fatores, incluindo traumas, fraturas, queimaduras e, como no caso descrito, acidentes com animais peçonhentos que induzem grande edema e sangramento local. A fisiopatologia envolve o ciclo vicioso de edema, aumento da pressão tecidual, compressão de vasos e nervos, isquemia e, se não tratada, necrose. Os sinais e sintomas clássicos, muitas vezes referidos como os "5 Ps", são: dor (pain) intensa e desproporcional, parestesia (paresthesia), palidez (pallor), ausência de pulso (pulselessness) e paralisia (paralysis). A dor à extensão passiva dos músculos do compartimento afetado é um sinal precoce e muito sugestivo. O diagnóstico precoce é crucial, pois a síndrome compartimental é uma emergência cirúrgica. O tratamento definitivo é a fasciotomia, que consiste na abertura cirúrgica da fáscia para descompressão do compartimento. A demora na intervenção pode levar a sequelas permanentes, como contraturas musculares isquêmicas (ex: contratura de Volkmann), neuropatias e, em casos extremos, à necessidade de amputação do membro. Portanto, a suspeita clínica e a avaliação rápida são essenciais para preservar a função e a viabilidade do membro.
Os sinais e sintomas clássicos incluem dor intensa e desproporcional à lesão, parestesia (dormência/formigamento), diminuição da temperatura do segmento distal, cianose e déficit motor. A dor à extensão passiva dos músculos do compartimento afetado é um sinal precoce e importante.
Alguns acidentes com animais peçonhentos, como picadas de cobras do gênero Bothrops (jararaca), podem causar grande edema local e sangramento nos tecidos, levando ao aumento da pressão dentro dos compartimentos musculares e, consequentemente, à síndrome compartimental.
O tratamento de emergência é a fasciotomia, um procedimento cirúrgico que consiste em incisar a fáscia para aliviar a pressão dentro do compartimento. A demora no diagnóstico e tratamento pode resultar em necrose muscular, dano nervoso permanente e até amputação do membro.
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