COC - Centro Oncológico de Cuiabá (MT) — Prova 2020
Um homem de 70 anos, com antecedente de fibrilação atrial crônica, chega para avaliação com quadro de isquemia aguda grave do membro inferior esquerdo. Foi submetido a embolectomia arterial com sucesso, sendo restabelecidos os pulsos distais. Cerca de 1 hora após o término da cirurgia, começou a apresentar edema tenso na perna, dor na panturrilha, parestesia e dificuldade para fazer a dorsiflexão ativa do pé. A melhor conduta é:
Isquemia-reperfusão pós-embolectomia com sinais de síndrome compartimental → fasciotomia de emergência.
A síndrome compartimental é uma complicação grave da isquemia-reperfusão, comum após revascularização de membros isquêmicos. A dor desproporcional, parestesia e déficit motor, associados a edema tenso, exigem fasciotomia de emergência para evitar necrose tecidual e perda do membro.
A síndrome compartimental é uma emergência cirúrgica caracterizada pelo aumento da pressão dentro de um compartimento osteofascial fechado, levando à isquemia e necrose de músculos e nervos. É uma complicação grave e potencialmente devastadora, frequentemente associada a traumas, queimaduras ou, como neste caso, à síndrome de isquemia-reperfusão após revascularização. O quadro clínico típico inclui dor intensa e desproporcional, parestesia, edema tenso e, em estágios avançados, fraqueza muscular ou paralisia. O diagnóstico é primariamente clínico, mas pode ser confirmado pela medição da pressão intracompartimental. A suspeita deve ser alta em pacientes com revascularização recente de membro isquêmico, especialmente após embolectomia. O tratamento da síndrome compartimental é a fasciotomia de emergência, um procedimento cirúrgico que consiste na abertura ampla das fáscias dos compartimentos afetados para aliviar a pressão. A demora no tratamento pode resultar em dano muscular e nervoso irreversível, levando à perda funcional do membro ou até à amputação, sendo crucial a intervenção precoce.
Os sinais clássicos incluem dor intensa e desproporcional à lesão, parestesia, palidez, paralisia e ausência de pulsos (os últimos dois são sinais tardios e graves). O edema tenso do compartimento afetado é um achado chave.
A fasciotomia é o tratamento definitivo porque alivia a pressão dentro dos compartimentos musculares, restaurando o fluxo sanguíneo e prevenindo a necrose muscular e nervosa causada pela isquemia prolongada, salvando o membro.
Após um período de isquemia, a restauração do fluxo sanguíneo (reperfusão) pode levar a edema e inflamação significativos nos tecidos, aumentando a pressão dentro dos compartimentos musculares e precipitando a síndrome compartimental.
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