FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2022
Homem, 27 anos, deu entrada no pronto-socorro após queda de escada. exame físico: consciente, acianótico, PA= 130 x 85 mmhg, FC = 98 bpm, FR = 20 irpm. Membro inferior direito com deformidade e edema na perna. Radiograma do membro: fratura da tíbia e fíbula direita. Após 6 horas de retificação e imobilização com tala de perna, evoluiu com parestesia, dor intensa local e pulso pedioso diminuído em comparação ao contralateral. a conduta é:
Fratura tíbia/fíbula + dor intensa + parestesia + pulso ↓ após imobilização → Síndrome Compartimental = Fasciotomia.
A síndrome compartimental é uma emergência ortopédica caracterizada por aumento da pressão dentro de um compartimento muscular fechado, levando à isquemia nervosa e muscular. A dor intensa e desproporcional, parestesia e diminuição de pulsos são sinais de alerta que exigem descompressão cirúrgica imediata (fasciotomia).
A síndrome compartimental é uma condição grave que ocorre quando a pressão dentro de um compartimento muscular fechado aumenta a ponto de comprometer a perfusão sanguínea para os tecidos, levando à isquemia e necrose. É uma emergência ortopédica, mais comum na perna e no antebraço, frequentemente associada a fraturas de ossos longos, como tíbia e fíbula, ou lesões por esmagamento. A rápida identificação e intervenção são cruciais para preservar a função do membro. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos "5 Ps": Pain (dor intensa e desproporcional à lesão, que não melhora com analgésicos), Paresthesia (alteração da sensibilidade), Pallor (palidez), Paralysis (paralisia) e Pulselessness (ausência de pulso). A dor é o sinal mais precoce e confiável. A diminuição do pulso pedioso, como no caso descrito, é um sinal tardio e grave, indicando isquemia avançada. A medição da pressão intracompartimental pode confirmar o diagnóstico, mas não deve atrasar a cirurgia em casos de alta suspeita clínica. A conduta imediata e definitiva para a síndrome compartimental estabelecida é a fasciotomia de urgência. Este procedimento cirúrgico consiste em incisões longitudinais nas fáscias que delimitam os compartimentos musculares, aliviando a pressão e restaurando o fluxo sanguíneo. A otimização da analgesia ou elevação da perna são medidas paliativas que não resolvem a causa-raiz e podem atrasar o tratamento definitivo, resultando em sequelas permanentes, como contratura de Volkmann.
Os sinais e sintomas clássicos incluem dor intensa e desproporcional à lesão (o mais precoce), parestesia (alteração da sensibilidade), palidez, paralisia e ausência de pulso (sinais tardios). Edema e tensão no compartimento afetado também são comuns.
A principal causa é o trauma, especialmente fraturas de tíbia e fíbula, mas também pode ocorrer após lesões por esmagamento, queimaduras, reperfusão pós-isquemia ou uso excessivo de membros.
A fasciotomia é o tratamento definitivo porque alivia a pressão dentro do compartimento muscular, prevenindo a isquemia irreversível dos nervos e músculos. A demora no tratamento pode levar a necrose tecidual, contraturas e perda funcional permanente.
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