Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2022
Homem de 54 anos, é admitido após ter sido encontrado desacordado há cerca de uma hora, teve vômitos durante o transporte. Família negou antecedentes pessoais, com exceção da depressão. Ao exame clínico, em mau estado geral, sialorreia e broncorreia intensa, FC=64 bpm, FR=33 ipm, SatO2 em ar ambiente=81%, PA=100x64 mmHg, T=36,1o C, Glicemia capilar=94 mg/dL. Ausculta pulmonar com roncos difusos. Abdômen com ruídos hidroaéreos aumentados. Escala de coma de Glasgow=6, pupilas mióticas, isocóricas, sem déficits focais. Presença de fasciculação em musculatura de membros. Realizada intubação orotraqueal e estabilização na sala de emergência. Assinale a alternativa com a provável síndrome e tratamento a ser instituído:
Sialorreia, broncorreia, bradicardia, miose, fasciculações → Síndrome Colinérgica. Tratamento: Atropina.
A síndrome colinérgica é causada pelo excesso de acetilcolina na fenda sináptica, geralmente por inibição da acetilcolinesterase (ex: organofosforados, carbamatos). Os sintomas incluem efeitos muscarínicos (sialorreia, broncorreia, bradicardia, miose, vômitos, diarreia) e nicotínicos (fasciculações, fraqueza muscular). O tratamento de escolha é a atropina para os efeitos muscarínicos e pralidoxima para reativar a acetilcolinesterase.
A síndrome colinérgica é uma emergência toxicológica causada pelo excesso de acetilcolina na fenda sináptica, geralmente devido à inibição da enzima acetilcolinesterase por agentes como organofosforados e carbamatos. Esses agentes são comumente encontrados em pesticidas, o que sugere uma possível tentativa de suicídio no contexto de depressão, como no caso apresentado. A apresentação clínica é caracterizada por uma combinação de efeitos muscarínicos e nicotínicos. Os efeitos muscarínicos resultam da estimulação dos receptores muscarínicos e incluem sialorreia, lacrimejamento, urinação, diarreia, emese (vômitos), miose, broncoespasmo, broncorreia e bradicardia. Os efeitos nicotínicos, por sua vez, resultam da estimulação dos receptores nicotínicos na junção neuromuscular e nos gânglios autonômicos, manifestando-se como fasciculações musculares, fraqueza, paralisia e, em casos graves, insuficiência respiratória. O tratamento da síndrome colinérgica é prioritário e visa reverter os efeitos do excesso de acetilcolina. A atropina é o antídoto de escolha para os efeitos muscarínicos, administrada em doses tituladas até a melhora da broncorreia e bradicardia. Para intoxicações por organofosforados, a pralidoxima (um reativador da acetilcolinesterase) também é indicada para reverter os efeitos nicotínicos e muscarínicos, devendo ser administrada precocemente. O suporte ventilatório e hemodinâmico é fundamental.
Os principais sinais e sintomas incluem miose, sialorreia, broncorreia, bradicardia, hipotensão, vômitos, diarreia (efeitos muscarínicos) e fasciculações musculares, fraqueza e paralisia (efeitos nicotínicos).
A atropina é um antagonista competitivo dos receptores muscarínicos da acetilcolina. Ela reverte os efeitos muscarínicos da síndrome colinérgica, como broncorreia, bradicardia e miose, mas não atua nos efeitos nicotínicos.
A pralidoxima é um reativador da acetilcolinesterase e deve ser utilizada em intoxicações por organofosforados, preferencialmente nas primeiras 24-48 horas, para reverter os efeitos nicotínicos e muscarínicos, agindo na causa da intoxicação.
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