Síndrome Colinérgica: Reconhecimento e Causas Comuns

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 55 anos, é trazido ao pronto-socorro após ingerir grande quantidade de uma substância que causou quadro de sudorese profusa, bradicardia, miose, hipotensão e broncorreia.Qual é a substância que apresentaria efeito similar quando ingerida em grande quantidade?

Alternativas

  1. A) Loperamida.
  2. B) Rivastigmina.
  3. C) Escopolamina.
  4. D) Imipramina.

Pérola Clínica

Sudorese, bradicardia, miose, hipotensão, broncorreia → Síndrome colinérgica = Inibidores da acetilcolinesterase.

Resumo-Chave

O quadro clínico descrito (sudorese profusa, bradicardia, miose, hipotensão e broncorreia) é clássico da síndrome colinérgica, que resulta da estimulação excessiva dos receptores muscarínicos e nicotínicos pela acetilcolina. A rivastigmina é um inibidor da acetilcolinesterase, aumentando a disponibilidade de acetilcolina na fenda sináptica.

Contexto Educacional

A síndrome colinérgica é uma emergência toxicológica que exige reconhecimento rápido e tratamento adequado. Ela ocorre devido à superestimulação dos receptores muscarínicos e nicotínicos pela acetilcolina, geralmente por inibição da enzima acetilcolinesterase. Os sintomas são amplos e afetam múltiplos sistemas, sendo classicamente descritos pelos mnemônicos SLUDGE (Salivation, Lacrimation, Urination, Defecation, GI upset, Emesis) para os efeitos muscarínicos e DUMBELS (Diarrhea, Urination, Miosis, Bronchospasm, Emesis, Lacrimation, Salivation) ou ainda os efeitos nicotínicos como fasciculações, fraqueza muscular e paralisia. A rivastigmina, uma das opções, é um inibidor reversível da acetilcolinesterase, utilizada no tratamento da doença de Alzheimer. Em doses terapêuticas, melhora a função cognitiva, mas em superdosagem, causa um quadro de intoxicação colinérgica. Outras substâncias importantes a serem lembradas são os organofosforados e carbamatos, amplamente utilizados como pesticidas, que são causas comuns de intoxicação grave. O manejo da intoxicação colinérgica envolve medidas de suporte, descontaminação e o uso de antídotos. A atropina é o principal antídoto para os efeitos muscarínicos, enquanto a pralidoxima pode ser utilizada para reativar a acetilcolinesterase em casos de intoxicação por organofosforados, especialmente se administrada precocemente. O reconhecimento precoce dos sinais e sintomas é vital para a sobrevida do paciente e para a diferenciação de outras síndromes toxicológicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da síndrome colinérgica?

Os principais sintomas da síndrome colinérgica incluem miose, sudorese, lacrimejamento, salivação, broncorreia, broncoespasmo, bradicardia, hipotensão, vômitos, diarreia, fasciculações musculares e, em casos graves, convulsões e coma.

Quais substâncias podem causar síndrome colinérgica?

A síndrome colinérgica pode ser causada por inibidores da acetilcolinesterase (como rivastigmina, neostigmina, piridostigmina), organofosforados e carbamatos (presentes em pesticidas), e alguns cogumelos.

Qual o tratamento inicial para intoxicação colinérgica?

O tratamento inicial envolve a descontaminação (se aplicável), suporte ventilatório e hemodinâmico, e administração de atropina para antagonizar os efeitos muscarínicos e pralidoxima para reativar a acetilcolinesterase (em intoxicações por organofosforados).

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