CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015
Além da ceratite intersticial, qual dos achados abaixo é característico da síndrome de Cogan?
Ceratite intersticial + disfunção vestíbulo-auditiva (surdez/vertigem) = Síndrome de Cogan.
A Síndrome de Cogan é uma doença inflamatória rara caracterizada por ceratite intersticial não sifilítica associada a sintomas auditivos e vestibulares graves.
A Síndrome de Cogan é classificada como uma vasculite de vasos variáveis. A fisiopatologia exata é desconhecida, mas acredita-se em um mecanismo autoimune onde anticorpos atacam antígenos comuns à córnea e ao ouvido interno. É uma emergência médica relativa, pois o atraso no tratamento com corticoides pode levar à surdez permanente em semanas. Além dos sintomas oculares e auditivos, cerca de 15% dos pacientes desenvolvem vasculite sistêmica, sendo a aortite com insuficiência aórtica a complicação mais grave. O acompanhamento multidisciplinar entre oftalmologistas, otorrinolaringologistas e reumatologistas é essencial para o manejo adequado e prevenção de sequelas.
A tríade clássica envolve ceratite intersticial (inflamação da córnea que causa dor, fotofobia e visão turva) e disfunção vestíbulo-auditiva, que se manifesta como perda auditiva neurossensorial súbita, vertigem e zumbido, assemelhando-se à doença de Ménière.
Ambas podem causar ceratite intersticial e surdez. No entanto, na Síndrome de Cogan, os testes sorológicos para sífilis (VDRL e FTA-Abs) são negativos. Além disso, a Síndrome de Cogan pode estar associada a vasculites sistêmicas, como a aortite, o que não é comum na apresentação ocular/auditiva da sífilis.
O tratamento baseia-se na corticoterapia sistêmica precoce para tentar reverter ou estabilizar a perda auditiva e controlar a inflamação ocular. Em casos resistentes ou com envolvimento sistêmico (vasculite), podem ser necessários agentes imunossupressores ou biológicos.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo