Síndrome Choque Tóxico: Sinais e Manejo em Queimaduras

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2020

Enunciado

Pré-escolar de 3 anos vítima de queimadura de espessura parcial em palma da mão direita ao colocá-la na porta do forno. Foi medicado com curativo oclusivo e liberado para domicílio. No terceiro dia pós queimadura iniciou com febre elevada, rash eritematoso difuso doloroso, episódios diarreicos, irritabilidade e alteração do nível de consciência. Analise as alternativas abaixo sobre este caso. I - A hemocultura é positiva em mais de 90% dos casos. II - A vancomicina é o antibiótico de escolha devido à gravidade do caso. III - É esperada uma apresentação de choque hiperdinâmico, com pulsos periféricos amplos e rápida perfusão periférica. IV - O principal agente relacionado a essa síndrome é o Staphylococcus aureus. Estão corretas apenas as alternativas

Alternativas

  1. A)  I e II.
  2. B)  II e III.
  3. C)  II e IV.
  4. D)  III e IV.
  5. E)  I, II e IV.

Pérola Clínica

SCT por S. aureus → Choque hiperdinâmico, rash, febre, disfunção orgânica. Hemocultura negativa comum.

Resumo-Chave

A Síndrome do Choque Tóxico Estafilocócico (SCT) é uma complicação grave de queimaduras, causada por toxinas de Staphylococcus aureus. Caracteriza-se por febre, rash eritematoso difuso, hipotensão e disfunção de múltiplos órgãos. É crucial reconhecer o choque hiperdinâmico inicial e que a hemocultura frequentemente é negativa, pois a doença é mediada por toxinas e não por bacteremia.

Contexto Educacional

A Síndrome do Choque Tóxico Estafilocócico (SCT) é uma doença aguda e grave, causada por toxinas (superantígenos) produzidas principalmente por cepas de Staphylococcus aureus (especialmente a toxina TSST-1). Embora classicamente associada a tampões vaginais, pode ocorrer em qualquer sítio de infecção estafilocócica, incluindo feridas cirúrgicas, osteomielite e, como no caso, queimaduras. É uma complicação rara, mas potencialmente fatal, em crianças. A fisiopatologia envolve a ativação maciça de células T pelos superantígenos, levando a uma tempestade de citocinas e disfunção orgânica. Os sinais e sintomas incluem febre alta, rash eritematoso difuso que pode descamar, hipotensão (choque), e disfunção de múltiplos órgãos (gastrointestinal, renal, hepático, hematológico, neurológico). O choque é tipicamente hiperdinâmico na fase inicial, com pulsos amplos e rápida perfusão periférica, antes de evoluir para choque distributivo. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios definidos. É crucial notar que a hemocultura é positiva em menos de 50% dos casos, pois a doença é toxina-mediada e não necessariamente bacterêmica. O tratamento envolve suporte intensivo, fluidos, vasopressores, imunoglobulina intravenosa (IVIG) e antibioticoterapia. A clindamicina é um antibiótico chave, pois inibe a síntese de toxinas, sendo frequentemente combinada com um betalactâmico (como oxacilina ou vancomicina, se houver suspeita de MRSA). O reconhecimento precoce e tratamento agressivo são essenciais para melhorar o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome do Choque Tóxico Estafilocócico?

Os critérios incluem febre (>38,9°C), rash eritematoso difuso, hipotensão (choque), envolvimento de três ou mais sistemas orgânicos (gastrointestinal, muscular, renal, hepático, hematológico, SNC) e evidência laboratorial de infecção por S. aureus (mas hemocultura pode ser negativa).

Por que a hemocultura é frequentemente negativa na Síndrome do Choque Tóxico?

A SCT é primariamente uma doença mediada por toxinas (superantígenos) produzidas pelo Staphylococcus aureus em um sítio de infecção localizado, e não por bacteremia disseminada. Portanto, a presença da bactéria no sangue é menos comum.

Qual o tratamento antibiótico de escolha para a Síndrome do Choque Tóxico e por quê?

A clindamicina é frequentemente preferida, em combinação com um betalactâmico (como oxacilina ou vancomicina se houver suspeita de MRSA), pois inibe a produção de toxinas bacterianas, algo que os betalactâmicos não fazem eficazmente.

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