Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2024
Sobre os critérios diagnósticos de Síndrome do Choque Toxico (SCT) estreptocócico e estafilocócico, assinale a alternativa incorreta.
SCT estafilocócica: S. aureus isolado de local não estéril pode ser critério, mas não é obrigatório em 98% dos casos.
O diagnóstico de Síndrome do Choque Tóxico (SCT) estafilocócico requer critérios clínicos de choque e falência de órgãos, mas o isolamento de *S. aureus* de um local não estéril não é um critério mandatório em uma alta porcentagem de casos para a confirmação, ao contrário do *S. pyogenes* em local estéril para SCT estreptocócico confirmado.
A Síndrome do Choque Tóxico (SCT) é uma condição grave e potencialmente fatal, causada por toxinas produzidas por *Staphylococcus aureus* ou *Streptococcus pyogenes*. Ambas as formas compartilham critérios clínicos semelhantes, caracterizados por choque e falência de múltiplos órgãos, mas diferem significativamente nos critérios microbiológicos para confirmação diagnóstica. A rápida identificação e tratamento são cruciais para o prognóstico do paciente, tornando o conhecimento dos critérios diagnósticos essencial para residentes. Para a SCT estreptocócica confirmada, o isolamento de *Streptococcus pyogenes* (Estreptococo do Grupo A) de um local normalmente estéril (como sangue, líquor, líquido pleural) é um critério diagnóstico fundamental. Já para a SCT estafilocócica, o diagnóstico é mais complexo. Embora o isolamento de *Staphylococcus aureus* de um local não estéril (como vagina, ferida cirúrgica, nasofaringe) possa ser um critério de suporte, ele não é mandatório em todos os casos para o diagnóstico. A presença de toxinas estafilocócicas (como a toxina da síndrome do choque tóxico-1, TSST-1) é o principal fator patogênico, e o diagnóstico pode ser feito com base nos critérios clínicos e na exclusão de outras causas de choque, mesmo sem um isolamento de *S. aureus* de um local não estéril em uma alta porcentagem de casos. É vital que os médicos estejam atentos aos sinais de choque e disfunção orgânica em pacientes com infecções, especialmente aquelas de pele e tecidos moles ou associadas ao uso de tampões vaginais. A diferenciação entre as formas estreptocócica e estafilocócica, embora com manejo inicial semelhante (suporte hemodinâmico, antibióticos), pode ter implicações no tratamento específico e na investigação da fonte da infecção. A compreensão precisa dos critérios microbiológicos evita erros diagnósticos e orienta a conduta terapêutica adequada, melhorando os desfechos para os pacientes.
Os critérios clínicos para SCT incluem febre, hipotensão (choque) e envolvimento de múltiplos sistemas orgânicos, como erupção cutânea, descamação, disfunção renal, hepática, hematológica, neurológica e gastrointestinal, na ausência de outra etiologia para o choque.
Para SCT estreptocócica confirmada, o isolamento de *Streptococcus pyogenes* de um local normalmente estéril é um critério maior. Para SCT estafilocócica, o isolamento de *Staphylococcus aureus* de um local não estéril (como vagina, nasofaringe, ferida) é um critério de suporte, mas não é obrigatório para o diagnóstico provável, e o isolamento de toxina é mais relevante.
Deve-se suspeitar de SCT em pacientes que apresentam choque de etiologia não definida, especialmente se acompanhado de febre, erupção cutânea difusa, e evidência de falência de múltiplos órgãos, como insuficiência renal aguda, coagulopatia ou disfunção hepática, e em contextos como uso de tampões vaginais ou infecções de pele e tecidos moles.
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