USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022
Homem de 65 anos de idade, pedreiro aposentado, vem para consulta com clínico geral referindo quadro de dor lombar há aproximadamente 2 semanas. Refere que o quadro é caracterizado por dor de forte intensidade, com irradiação para ambos os membros inferiores abaixo dos joelhos, associada a parestesias. Relata ainda dificuldade de ereção e redução da sensibilidade em região perianal. Nega alteração da intensidade da dor ao longo do dia. Ao exame clínico: Déficit motor assimétrico distal nas pernas e pés, com redução de força à dorsiflexão e flexão plantar dos pés e dos artelhos. Reflexos aquileus e patelares abolidos. Hipoestesia “em sela” na região perineal. Desencadeamento de dor irradiada à flexão de quadril a 45º com joelhos estendidos. Apresenta incapacidade de permanecer na ponta dos pés. O exame físico mostra massa em hipogástrio. Nega febre, perda ponderal, antecedente pessoal ou familiar de neoplasia maligna.
Dor lombar + irradiação bilateral + parestesia em sela + disfunção esfincteriana → Síndrome da Cauda Equina = RM urgência.
A síndrome da cauda equina é uma emergência neurocirúrgica caracterizada por compressão das raízes nervosas lombares e sacrais, manifestando-se com dor lombar, radiculopatia bilateral, anestesia em sela, disfunção esfincteriana e déficit motor. O diagnóstico precoce com RM é crucial para evitar sequelas permanentes.
A síndrome da cauda equina é uma condição neurológica grave que resulta da compressão das raízes nervosas lombares e sacrais que formam a cauda equina. Embora rara, é uma emergência médica que exige reconhecimento e tratamento imediatos para prevenir danos neurológicos permanentes. As causas mais comuns incluem hérnias de disco maciças, tumores, traumas, estenose espinhal e infecções. A compreensão de sua apresentação clínica é vital para qualquer médico, especialmente em um ambiente de emergência. O diagnóstico da síndrome da cauda equina baseia-se em uma combinação de achados clínicos característicos. A dor lombar intensa, muitas vezes acompanhada de radiculopatia bilateral, é um sintoma proeminente. No entanto, os sinais de alarme que diferenciam esta síndrome de uma radiculopatia comum incluem a anestesia em sela (perda de sensibilidade na região perianal, genital e glútea), disfunção esfincteriana (retenção ou incontinência urinária e/ou fecal) e déficits motores e sensoriais assimétricos nos membros inferiores. A ausência de reflexos patelares e aquileus, como descrito no caso, reforça a suspeita. Uma vez suspeitada, a ressonância magnética (RM) da coluna lombossacra é o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico e identificar a causa da compressão. O tratamento é predominantemente cirúrgico, visando a descompressão urgente das raízes nervosas. O prognóstico está diretamente relacionado ao tempo entre o início dos sintomas e a intervenção cirúrgica, enfatizando a necessidade de um alto índice de suspeição e encaminhamento rápido para avaliação especializada.
Os principais sinais incluem dor lombar intensa, radiculopatia bilateral (dor e parestesia irradiadas para ambas as pernas), anestesia em sela (perda de sensibilidade na região perianal e genital), disfunção esfincteriana (retenção urinária, incontinência fecal) e déficit motor assimétrico nas pernas.
A ressonância magnética (RM) da coluna lombossacra é o exame de imagem de escolha. Ela permite visualizar a compressão das raízes nervosas da cauda equina e identificar a causa subjacente, como hérnia de disco, tumor ou abscesso.
É uma emergência médica porque a compressão prolongada das raízes nervosas pode levar a danos neurológicos permanentes, incluindo incontinência irreversível e paralisia. A descompressão cirúrgica urgente é frequentemente necessária para preservar a função neurológica.
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