Síndrome da Cauda Equina: Diagnóstico e Tratamento Urgente

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024

Enunciado

Um paciente de 65 anos vai ao SAMU referindo dor lombar aguda irradiada para membro inferior direito, após queda da própria altura ocorrida há 6 horas. Ele está utilizando anti-inflamatório e analgésico via oral e apresenta retenção urinária e dor em hipogástrio. Possui histórico de dor lombar crônica e osteoartrite em coluna lombar e coxofemoral direita. Ao exame físico, apresenta dor à palpação de região púbica com massa palpável na região suprapúbica; força muscular preservada em membros inferiores e reflexos patelar e aquileu preservados bilateralmente; hipoestesia tátil em face posterior de coxa e perna direita e anestesia em região perineal bilateral. Ressonância magnética de coluna lombar mostrou alterações degenerativas de discos intervertebrais L3-L4 / L4-L5 / L5-S1, com redução de forames intervertebrais correspondentes, osteófitos posteriores em corpos vertebrais de L4, L5 e S1, além de protrusão discal volumosa centro-foraminal à direita em L4-L5, causando estenose foraminal nesse nível.Diante dessas informações, a conduta terapêutica adequada, no caso desse paciente, é realizar

Alternativas

  1. A) descompressão cirúrgica de urgência e utilizar analgésico comum.
  2. B) tratamento conservador e associar o uso de analgésicos opioides.
  3. C) sondagem vesical de demora e usar anti-inflamatório esteroidal.
  4. D) tratamento conservador e manter uso de anti-inflamatório.

Pérola Clínica

Dor lombar aguda + retenção urinária + anestesia em sela + déficit neurológico progressivo → Síndrome da Cauda Equina = descompressão cirúrgica URGENTE.

Resumo-Chave

A presença de dor lombar aguda, retenção urinária, anestesia em sela e déficits neurológicos (mesmo que sutis inicialmente) após uma queda, com achados de protrusão discal volumosa em RM, configura uma Síndrome da Cauda Equina, que exige descompressão cirúrgica de urgência.

Contexto Educacional

A Síndrome da Cauda Equina (SCE) é uma condição neurológica rara, porém grave, que constitui uma emergência neurocirúrgica. Ela ocorre quando as raízes nervosas da cauda equina, localizadas no canal vertebral lombar, são comprimidas, resultando em uma constelação de sintomas que afetam a função motora, sensitiva e esfincteriana. O reconhecimento precoce é vital para evitar sequelas permanentes. A fisiopatologia mais comum envolve uma hérnia de disco lombar volumosa, mas outras causas incluem tumores, estenose espinhal, trauma, infecções ou hemorragias. Os sintomas característicos incluem dor lombar intensa, dor radicular (geralmente bilateral), anestesia em sela (períneo, genitália e face interna das coxas), disfunção vesical (retenção urinária, incontinência) e/ou intestinal, e fraqueza nos membros inferiores. A retenção urinária é um dos sinais mais precoces e importantes. A conduta terapêutica é a descompressão cirúrgica de urgência, idealmente dentro de 24 a 48 horas do início dos sintomas, para aliviar a compressão das raízes nervosas. O atraso no tratamento está associado a um pior prognóstico funcional. A ressonância magnética da coluna lombar é o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico e identificar a causa da compressão.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da Síndrome da Cauda Equina?

Os sintomas clássicos incluem dor lombar intensa, dor radicular bilateral ou unilateral, anestesia em sela (perineal), disfunção vesical (retenção urinária ou incontinência), disfunção intestinal e déficits motores ou sensitivos nos membros inferiores.

Por que a Síndrome da Cauda Equina é uma emergência médica?

É uma emergência devido ao risco de danos neurológicos permanentes, como paralisia, incontinência urinária e fecal, se a compressão não for aliviada rapidamente. A descompressão cirúrgica precoce é crucial para preservar a função neurológica.

Qual o papel da ressonância magnética na Síndrome da Cauda Equina?

A ressonância magnética (RM) é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico, identificar a causa da compressão (ex: hérnia de disco, tumor) e planejar a abordagem cirúrgica, mostrando a localização e a extensão da compressão.

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