MedEvo Simulado — Prova 2026
Ricardo, um paciente de 45 anos, motorista de caminhão, procura a unidade de emergência com queixa de dor lombar súbita e intensa após carregar uma caixa pesada há cerca de 8 horas. Relata que a dor irradia para a face posterior de ambas as coxas e pernas, acompanhada de uma sensação de formigamento na região genital e interna das coxas. Ao exame físico, apresenta fraqueza muscular grau 3/5 para dorsiflexão dos pés e extensão do hálux, bilateralmente. Os reflexos aquileus estão abolidos e o reflexo patelar está diminuído globalmente. Nota-se hipoestesia em região perineal e perianal (em sela). Durante a palpação abdominal, observa-se uma massa tensa e dolorosa em região suprapúbica, compatível com bexigoma, e o paciente refere incapacidade de micção espontânea desde o início do quadro. O toque retal evidencia hipotonia importante do esfíncter anal. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Dor lombar + Anestesia em sela + Disfunção esfincteriana = Síndrome da Cauda Equina (Emergência!).
A síndrome da cauda equina resulta da compressão de múltiplas raízes nervosas lombossacrais abaixo do nível do cone medular, exigindo descompressão cirúrgica imediata para evitar danos permanentes.
A Síndrome da Cauda Equina (SCE) ocorre quando há compressão das raízes nervosas que se estendem abaixo do fim da medula espinhal (geralmente L1-L2). Diferente da síndrome do cone medular, a SCE é uma lesão de neurônio motor inferior, apresentando-se com fraqueza flácida, arreflexia (especialmente o reflexo aquileu) e dor radicular intensa. O quadro clínico clássico envolve a 'anestesia em sela' e a disfunção autonômica, manifestada por retenção urinária (bexigoma por bexiga acontrátil) e hipotonia anal. A causa mais comum é a herniação discal lombar maciça, mas também pode ser causada por traumas, tumores ou infecções epidurais. O reconhecimento precoce é crítico, pois o atraso cirúrgico está diretamente associado a sequelas permanentes como bexiga neurogênica e disfunção sexual.
Os sinais de alerta incluem déficit motor progressivo ou bilateral, anestesia em sela (perda de sensibilidade perineal), retenção urinária súbita (bexigoma), incontinência fecal e perda do tônus do esfíncter anal.
A Ressonância Magnética (RM) da coluna lombossacra é o exame de escolha, pois permite visualizar com precisão a causa da compressão (como hérnia discal volumosa, tumores ou abscessos) e o grau de comprometimento das raízes nervosas.
O manejo é cirúrgico e urgente. A descompressão do canal vertebral deve ser realizada preferencialmente nas primeiras 24 a 48 horas após o início dos sintomas para maximizar as chances de recuperação neurológica e funcional.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo