Catatonia em Transtorno Bipolar: Reconhecimento e Manejo

UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2022

Enunciado

Leia o caso clínico a seguir.Marcos é um jovem de 22 anos que foi levado ao pronto socorro por ter parado de se movimentar. Há duas semanas, começou a ficar mais de 20 horas deitado e imóvel na cama, algumas vezes se levanta e vai ao banheiro, e outras vezes urina na cama. Quando alguém faz uma pergunta ou comentário, ele repetia a última palavra ou sílaba inúmeras vezes. Nos últimos dois dias, vem se recusando a se alimentar, não fala nenhuma palavra por dias seguidos e mantém posturas estranhas por horas, além de rigidez muscular. Faz uso de lítio e lamotrigina há dois anos, após ocorrência de um quadro maníaco e diagnóstico de transtorno bipolar. Qual é a síndrome apresentada no momento e a conduta adequada?

Alternativas

  1. A) Síndrome depressiva – suspender lítio e iniciar fluoxetina.
  2. B) Síndrome dissociativa – indicar ansiolítico e psicoterapia
  3. C) Síndrome psicótica – introduzir olanzapina.
  4. D) Síndrome catatônica – aplicar benzodiazepínico lorazepam.

Pérola Clínica

Catatonia: Estupor, mutismo, posturas bizarras, ecolalia/ecopraxia → Lorazepam.

Resumo-Chave

O quadro clínico de Marcos, com imobilidade, mutismo, posturas estranhas, rigidez muscular, recusa alimentar e fenômenos como ecolalia, é altamente sugestivo de síndrome catatônica, uma emergência psiquiátrica que responde bem a benzodiazepínicos como o lorazepam.

Contexto Educacional

A síndrome catatônica é uma condição neuropsiquiátrica grave, caracterizada por alterações psicomotoras proeminentes, que pode ocorrer em diversos contextos psiquiátricos e médicos. No caso apresentado, o paciente com transtorno bipolar em uso de estabilizadores de humor desenvolve um quadro de imobilidade, mutismo, posturas bizarras, recusa alimentar e fenômenos de ecolalia, que são sintomas clássicos de catatonia. O diagnóstico da catatonia é clínico e baseia-se na presença de múltiplos sintomas psicomotores. É crucial diferenciar a catatonia de outras condições que podem cursar com imobilidade, como depressão grave ou síndromes extrapiramidais induzidas por medicamentos. A catatonia é considerada uma emergência psiquiátrica devido ao risco de complicações como desidratação, desnutrição, trombose venosa profunda e rabdomiólise, especialmente em casos de recusa alimentar e imobilidade prolongada. O tratamento de primeira linha para a catatonia é a administração de benzodiazepínicos, com o lorazepam sendo o fármaco de escolha devido à sua ação rápida e perfil de segurança. A resposta terapêutica é frequentemente dramática, com melhora significativa dos sintomas em minutos a horas. Em casos refratários, a eletroconvulsoterapia (ECT) é uma opção altamente eficaz. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são vitais para a recuperação do paciente e prevenção de morbidade e mortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da síndrome catatônica?

A síndrome catatônica é caracterizada por uma alteração psicomotora grave, incluindo estupor (imobilidade), mutismo, negativismo, posturas bizarras, flexibilidade cérea, maneirismos, estereotipias, agitação, ecolalia (repetição de falas) e ecopraxia (repetição de movimentos).

Qual é o tratamento de primeira linha para a catatonia?

O tratamento de primeira linha para a catatonia é a administração de benzodiazepínicos, sendo o lorazepam o mais utilizado, em doses tituladas. A resposta é frequentemente rápida e dramática, servindo inclusive como teste diagnóstico.

A catatonia está sempre associada a transtornos psicóticos?

Não, a catatonia pode ocorrer em diversos transtornos psiquiátricos, como transtorno bipolar (episódios maníacos ou depressivos), depressão maior, esquizofrenia e condições médicas gerais (encefalopatias, infecções). É uma síndrome que transcende diagnósticos específicos.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo