HSL Copacabana - Hospital São Lucas Copacabana (RJ) — Prova 2021
Homem, 82a, é admitido referindo falta de ar e inchaço progressivos há duas semanas. Antecedentes pessoais: miocardiopatia dilatada. Medicações: carvedilol 25mg/dia, enalapril 20mg/dia e furosemida 40 mg/dia. Exame físico: Regular estado geral, FC= 102 bpm, PA= 112x68mmHg, Pulmões: murmúrio vesicular presente, estertores crepitantes bilateralmente; membros: edema de membros inferiores, sacral e perineal 4+/4+. Creatinina= 1,5 mg/dl, ureia= 68mg/dl, potássio= 5,2 mEq/L. Nos quatro primeiros dias de internação faz uso de furosemida 20mg, intravenoso de 8/8h, com melhora significativa das queixas. No quinto dia de internação refere tonturas, sem dispneia. Exame físico: FC= 88 bpm, PA= 96X54 mmHg, edema de membros inferiores 2+/4+. Potássio= 3,5 mEq/L, Creatinina= 3,8mg/dl e ureia = 202mg/dl. Qual alternativa seria a melhor conduta?
IC descompensada + diurético + hipotensão + piora renal aguda = suspender diurético e hidratar.
Pacientes idosos com insuficiência cardíaca em uso de diuréticos são suscetíveis à síndrome cardiorrenal, onde a diurese excessiva pode levar à depleção de volume, hipotensão e piora aguda da função renal. Nesses casos, a conduta inicial é suspender o diurético e otimizar a hidratação.
Pacientes idosos com miocardiopatia dilatada e insuficiência cardíaca (IC) em tratamento com diuréticos, IECA e betabloqueadores são particularmente vulneráveis a descompensações e complicações. O caso ilustra uma situação comum de piora da função renal aguda, conhecida como síndrome cardiorrenal, precipitada pelo uso excessivo ou inadequado de diuréticos. Inicialmente, o paciente apresentou melhora da congestão com a furosemida, indicando que a diurese era necessária. No entanto, a evolução para tonturas, hipotensão (PA 96x54 mmHg), e uma elevação drástica da creatinina (de 1,5 para 3,8 mg/dl) e ureia (de 68 para 202 mg/dl), juntamente com hipocalemia, são fortes indicadores de depleção de volume e piora da perfusão renal. Neste cenário, a manutenção ou o aumento da dose do diurético seria deletério, agravando a lesão renal aguda e a instabilidade hemodinâmica. A conduta mais apropriada é suspender o diurético para interromper a depleção de volume e considerar a hidratação cautelosa, se necessário, para restaurar a perfusão renal. A monitorização rigorosa da função renal, eletrólitos e estado hemodinâmico é essencial. Somente após a estabilização e recuperação da função renal, a reintrodução gradual dos medicamentos para IC deve ser considerada, ajustando as doses conforme a tolerância do paciente.
Sinais de alerta incluem hipotensão, tontura, fadiga, oligúria, aumento da creatinina e ureia séricas, e alterações eletrolíticas como hipo ou hipercalemia, indicando depleção de volume.
A síndrome cardiorrenal é uma condição onde a disfunção de um órgão (coração ou rim) leva à disfunção do outro. No tipo 1, a piora aguda da função cardíaca leva à disfunção renal aguda, e no tipo 2, a disfunção cardíaca crônica leva à disfunção renal crônica.
Diuréticos devem ser suspensos ou reduzidos quando há sinais de depleção de volume, como hipotensão sintomática, piora aguda da função renal ou distúrbios eletrolíticos graves, mesmo que ainda haja algum edema residual.
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