UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Um paciente de 65 anos com diagnóstico prévio de insuficiência cardíaca (IC) é admitido ao hospital com sintomas de piora progressiva de dispneia, edema periférico e ascite. Ele apresenta aumento da pressão venosa jugular e sinais de congestão hepática. Os exames laboratoriais revelam um aumento significativo nos níveis de creatinina sérica, sugerindo disfunção renal. Considerando que a síndrome cardiorrenal pode estar contribuindo para o quadro clínico, qual dos seguintes mecanismos descritos abaixo está diretamente associado à piora da função renal neste paciente com IC?
IC + congestão venosa sistêmica ↑ → Pressão retrógrada ↑ → Piora função renal.
Na síndrome cardiorrenal, a congestão venosa sistêmica, especialmente a renal, é um fator chave na piora da função renal em pacientes com insuficiência cardíaca. O aumento da pressão retrógrada nos capilares peritubulares e veias renais compromete a perfusão e a filtração glomerular.
A síndrome cardiorrenal (SCR) é uma condição complexa e bidirecional onde a disfunção de um órgão (coração ou rim) induz ou agrava a disfunção do outro. É uma complicação comum e grave em pacientes com insuficiência cardíaca (IC), impactando significativamente a morbidade e mortalidade. Para residentes, compreender a SCR é fundamental para o manejo integrado desses pacientes. A fisiopatologia da SCR na IC é multifatorial. Embora a hipoperfusão arterial renal possa contribuir, a congestão venosa sistêmica e renal é um mecanismo crucial. O aumento da pressão venosa central e renal eleva a pressão hidrostática nos capilares peritubulares, diminuindo o gradiente de pressão de filtração glomerular e comprometendo a função renal. A ativação neuro-hormonal também desempenha um papel importante, levando à vasoconstrição e retenção de fluidos. O diagnóstico da SCR baseia-se na avaliação clínica da IC e na monitorização da função renal (creatinina, taxa de filtração glomerular). O tratamento visa otimizar a função cardíaca, reduzir a congestão e proteger os rins, utilizando diuréticos, inibidores da ECA/BRA, betabloqueadores e, em casos selecionados, terapias de ultrafiltração. O manejo exige uma abordagem multidisciplinar e individualizada para melhorar o prognóstico.
A síndrome cardiorrenal é classificada em cinco tipos, sendo os tipos 1 e 2 agudos e crônicos, respectivamente, com disfunção cardíaca levando à renal, e os tipos 3 e 4 com disfunção renal levando à cardíaca. O tipo 5 é secundário a doenças sistêmicas.
A congestão venosa sistêmica aumenta a pressão venosa renal, elevando a pressão hidrostática nos capilares peritubulares e diminuindo o gradiente de pressão de filtração glomerular, o que compromete a taxa de filtração glomerular e a função renal.
A ativação neuro-hormonal (sistema renina-angiotensina-aldosterona e sistema nervoso simpático) é uma resposta compensatória inicial à redução do débito cardíaco, mas a longo prazo leva à vasoconstrição renal, retenção de sódio e água, e fibrose, contribuindo para a disfunção renal progressiva.
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