Síndrome Carcinoide: Sintomas, Diagnóstico e Fisiopatologia

SES-MA - Secretaria de Estado de Saúde do Maranhão — Prova 2021

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 45 anos de idade, há cerca de seis meses apresenta quadro de cólicas abdominais difusas esporádicas, diarreia e crises de broncoespasmo associadas a rubor facial. O diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Síndrome carcinóide de íleo.
  2. B) Cisto de pâncreas.
  3. C) Adenoma viloso de cólon.
  4. D) Adenocarcinoma gástrico com metástases.
  5. E) Diverticulite aguda.

Pérola Clínica

Rubor facial + Diarreia + Broncoespasmo = Síndrome Carcinoide (metástase hepática ou tumor extra-portal).

Resumo-Chave

A síndrome carcinoide resulta da secreção sistêmica de serotonina e bradicininas por tumores neuroendócrinos, manifestando-se tipicamente quando há metástases hepáticas que evitam o metabolismo de primeira passagem.

Contexto Educacional

A síndrome carcinoide é uma manifestação paraneoplásica rara associada a tumores neuroendócrinos (NETs) bem diferenciados. A localização mais comum do tumor primário que gera a síndrome é o íleo distal. A fisiopatologia é dominada pela produção excessiva de serotonina, mas também envolve histamina, bradicininas e prostaglandinas. Esses mediadores causam vasodilatação cutânea (rubor), aumento da motilidade intestinal (diarreia) e constrição da musculatura lisa brônquica. O manejo clínico foca no controle dos sintomas e na redução da carga tumoral. Os análogos da somatostatina, como o octreotide e o lanreotide, são a base do tratamento sintomático, pois inibem a secreção de hormônios pelo tumor. O prognóstico depende do grau de diferenciação celular e da extensão das metástases, sendo o envolvimento cardíaco (doença cardíaca carcinoide) um importante fator de morbimortalidade a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Qual a tríade clássica da síndrome carcinoide?

A tríade clássica da síndrome carcinoide é composta por rubor facial (flushing) súbito e transitório, diarreia secretora crônica e crises de broncoespasmo (semelhantes à asma). Além desses sintomas, os pacientes podem apresentar lesões valvares cardíacas (especialmente no lado direito do coração, como estenose pulmonar ou insuficiência tricúspide) devido à fibrose induzida pela serotonina circulante. O quadro clínico é intermitente e pode ser desencadeado por estresse, álcool ou certos alimentos que estimulam a liberação de mediadores vasoativos pelo tumor.

Por que a metástase hepática é crucial para a síndrome em tumores do TGI?

Tumores neuroendócrinos localizados no trato gastrointestinal (como no íleo) secretam serotonina diretamente na circulação portal. O fígado, em condições normais, metaboliza eficientemente essa serotonina em ácido 5-hidroxi-indolacético (5-HIAA), impedindo que ela atinja a circulação sistêmica. Portanto, a síndrome carcinoide só ocorre em tumores do TGI quando há metástases hepáticas volumosas que liberam mediadores diretamente nas veias hepáticas (contornando o parênquima funcionante) ou em tumores que drenam fora do sistema porta, como tumores bronquiais ou ovarianos.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da síndrome carcinoide?

O principal exame laboratorial para o diagnóstico da síndrome carcinoide é a dosagem do ácido 5-hidroxi-indolacético (5-HIAA) na urina de 24 horas. O 5-HIAA é o principal metabólito da serotonina e apresenta alta especificidade quando os níveis estão significativamente elevados. É necessário que o paciente siga uma dieta restritiva (evitando bananas, abacates, nozes e certos medicamentos) antes da coleta para evitar resultados falso-positivos. A cromogranina A plasmática também é um marcador útil, servindo como indicador da carga tumoral e monitoramento de recidiva.

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