SES-MA - Secretaria de Estado de Saúde do Maranhão — Prova 2021
Paciente do sexo masculino, 45 anos de idade, há cerca de seis meses apresenta quadro de cólicas abdominais difusas esporádicas, diarreia e crises de broncoespasmo associadas a rubor facial. O diagnóstico mais provável é:
Rubor facial + Diarreia + Broncoespasmo = Síndrome Carcinoide (metástase hepática ou tumor extra-portal).
A síndrome carcinoide resulta da secreção sistêmica de serotonina e bradicininas por tumores neuroendócrinos, manifestando-se tipicamente quando há metástases hepáticas que evitam o metabolismo de primeira passagem.
A síndrome carcinoide é uma manifestação paraneoplásica rara associada a tumores neuroendócrinos (NETs) bem diferenciados. A localização mais comum do tumor primário que gera a síndrome é o íleo distal. A fisiopatologia é dominada pela produção excessiva de serotonina, mas também envolve histamina, bradicininas e prostaglandinas. Esses mediadores causam vasodilatação cutânea (rubor), aumento da motilidade intestinal (diarreia) e constrição da musculatura lisa brônquica. O manejo clínico foca no controle dos sintomas e na redução da carga tumoral. Os análogos da somatostatina, como o octreotide e o lanreotide, são a base do tratamento sintomático, pois inibem a secreção de hormônios pelo tumor. O prognóstico depende do grau de diferenciação celular e da extensão das metástases, sendo o envolvimento cardíaco (doença cardíaca carcinoide) um importante fator de morbimortalidade a longo prazo.
A tríade clássica da síndrome carcinoide é composta por rubor facial (flushing) súbito e transitório, diarreia secretora crônica e crises de broncoespasmo (semelhantes à asma). Além desses sintomas, os pacientes podem apresentar lesões valvares cardíacas (especialmente no lado direito do coração, como estenose pulmonar ou insuficiência tricúspide) devido à fibrose induzida pela serotonina circulante. O quadro clínico é intermitente e pode ser desencadeado por estresse, álcool ou certos alimentos que estimulam a liberação de mediadores vasoativos pelo tumor.
Tumores neuroendócrinos localizados no trato gastrointestinal (como no íleo) secretam serotonina diretamente na circulação portal. O fígado, em condições normais, metaboliza eficientemente essa serotonina em ácido 5-hidroxi-indolacético (5-HIAA), impedindo que ela atinja a circulação sistêmica. Portanto, a síndrome carcinoide só ocorre em tumores do TGI quando há metástases hepáticas volumosas que liberam mediadores diretamente nas veias hepáticas (contornando o parênquima funcionante) ou em tumores que drenam fora do sistema porta, como tumores bronquiais ou ovarianos.
O principal exame laboratorial para o diagnóstico da síndrome carcinoide é a dosagem do ácido 5-hidroxi-indolacético (5-HIAA) na urina de 24 horas. O 5-HIAA é o principal metabólito da serotonina e apresenta alta especificidade quando os níveis estão significativamente elevados. É necessário que o paciente siga uma dieta restritiva (evitando bananas, abacates, nozes e certos medicamentos) antes da coleta para evitar resultados falso-positivos. A cromogranina A plasmática também é um marcador útil, servindo como indicador da carga tumoral e monitoramento de recidiva.
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