Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015
Mulher, 43 anos, vem ao ambulatório com queixa inespecífica e de longa data, de dor abdominal difusa em cólica seguida de episódios de diarreia, às vezes com odor extremamente fétido, porém sem muco, pus ou sangue. Refere que há mais de 4 anos, já procurou assistência médica por inúmeras vezes, tendo recebido o diagnóstico de Síndrome do Intestino Irritável. De fato, os exames que a paciente trazia consigo não mostravam nenhuma alteração a não ser uma discreta anemia. Nos últimos 2 meses a paciente começou a apresentar episódios de rubor em face e pescoço, acompanhados de sensação de mal estar generalizado, com intensificação dos quadros de diarreia. Assinale a alternativa INCORRETA:
Síndrome Carcinoide: rubor, diarreia, dor abdominal. Diagnóstico = 5-HIAA urinário 24h.
A Síndrome Carcinoide é um conjunto de sintomas causados pela secreção excessiva de substâncias vasoativas por tumores neuroendócrinos, geralmente com metástases hepáticas. O diagnóstico padrão ouro é a dosagem de ácido 5-Hidroxindolacético (5-HIAA) na urina de 24 horas, que é um metabólito da serotonina.
A Síndrome Carcinoide é um complexo de sintomas que surge em pacientes com tumores neuroendócrinos (TNEs) funcionantes, que secretam peptídeos e aminas vasoativas, principalmente serotonina. Embora os TNEs possam surgir em diversos locais, a síndrome clássica geralmente ocorre quando há metástases hepáticas, pois o fígado é o principal local de metabolização dessas substâncias. A epidemiologia mostra que menos de 10% dos pacientes com TNEs desenvolvem a síndrome, destacando sua raridade e a importância do reconhecimento clínico. Os sintomas são variados e incluem rubor cutâneo (o mais comum), diarreia secretora, dor abdominal, broncoespasmo e, em casos avançados, valvulopatia cardíaca direita. O diagnóstico é suspeitado pela história clínica e confirmado pela dosagem de ácido 5-Hidroxindolacético (5-HIAA) na urina de 24 horas, que é o metabólito da serotonina. Exames de imagem (TC, RM, cintilografia com octreotide) são essenciais para localizar o tumor primário e suas metástases. É importante diferenciar a síndrome carcinoide de outras condições com sintomas semelhantes, como a síndrome do intestino irritável, que a paciente do caso havia sido previamente diagnosticada. O tratamento da Síndrome Carcinoide é complexo e visa controlar os sintomas e o crescimento tumoral. Análogos da somatostatina (octreotide, lanreotide) são a base do tratamento sintomático, inibindo a secreção hormonal. A cirurgia para ressecção do tumor primário e das metástases hepáticas pode ser curativa ou paliativa. Terapias locorregionais para metástases hepáticas (quimioembolização, radioembolização) e terapias sistêmicas (quimioterapia, terapia alvo, radioterapia com peptídeos) também são opções. O prognóstico depende da extensão da doença e da agressividade do tumor.
Os sintomas clássicos incluem rubor facial e cervical (episódios de vermelhidão e calor), diarreia secretora crônica (às vezes fétida, sem sangue ou muco), dor abdominal em cólica, e, em casos avançados, valvulopatia cardíaca direita e broncoespasmo.
O principal exame é a dosagem de ácido 5-Hidroxindolacético (5-HIAA) na urina de 24 horas. O 5-HIAA é o principal metabólito da serotonina, que é produzida em excesso pelos tumores neuroendócrinos que causam a síndrome.
A maioria dos tumores neuroendócrinos que secretam substâncias vasoativas (como serotonina) tem sua produção hormonal metabolizada pelo fígado. A síndrome carcinoide clássica só se manifesta quando há metástases hepáticas extensas, permitindo que as substâncias vasoativas bypassam a inativação hepática e atinjam a circulação sistêmica.
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