HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2020
Paciente jovem, apresentando perda ponderal associado à diarreia, com frequência de 2-3x ao dia em moderada quantidade, sem sinais inflamatórios. Refere início do quadro há cerca de 6 semanas. Durante exame, apresenta rash principalmente em tronco superior e face, de coloração violácea. Apresentava-se com taquicardia (FC 122 bpm) e com sopro sistólico em foco tricúspide. Além disso, hepatomegalia com fígado de consistência endurecida e nodular na extensão de sua superfície. Diante da principal hipótese, assinale o exame que mais auxiliaria no diagnóstico:
Síndrome Carcinoide: diarreia + flushing + valvulopatia direita + hepatomegalia → 5-HIAA urinário 24h.
A síndrome carcinoide é causada pela liberação de substâncias vasoativas por tumores neuroendócrinos, frequentemente metastáticos para o fígado. A dosagem do ácido 5-hidroxindolacético (5-HIAA), um metabólito da serotonina, na urina de 24 horas é o exame laboratorial de escolha para confirmar o diagnóstico.
A síndrome carcinoide é uma condição paraneoplásica rara, resultante da secreção excessiva de substâncias vasoativas, como serotonina, bradicinina e histamina, por tumores neuroendócrinos (TNEs). Embora possa surgir em diversos locais, os TNEs gastrointestinais e brônquicos são os mais comuns, e a síndrome geralmente se manifesta quando há metástases hepáticas, permitindo que as substâncias vasoativas evitem o metabolismo hepático de primeira passagem. É crucial para residentes reconhecerem essa síndrome devido à sua apresentação multissistêmica e potencial gravidade. A fisiopatologia envolve a liberação hormonal que causa os sintomas característicos: diarreia secretora, flushing cutâneo (eritema violáceo), broncoespasmo e, em casos avançados, valvulopatia cardíaca direita (fibrose endocárdica). O diagnóstico é primariamente laboratorial, com a dosagem de ácido 5-hidroxindolacético (5-HIAA) na urina de 24 horas sendo o padrão-ouro, pois reflete o metabolismo da serotonina. Exames de imagem como tomografia computadorizada, ressonância magnética e cintilografia com análogos de somatostatina (Octreoscan) são essenciais para localizar o tumor primário e suas metástases. O tratamento da síndrome carcinoide é complexo e visa controlar os sintomas e o crescimento tumoral. Análogos da somatostatina (ex: octreotide, lanreotide) são a base do tratamento sintomático e podem estabilizar a doença. A cirurgia é curativa se o tumor for ressecável, mas em casos metastáticos, terapias como embolização hepática, quimioterapia e terapias-alvo podem ser empregadas. O prognóstico varia amplamente dependendo da localização do tumor primário, grau de diferenciação e extensão da doença.
A síndrome carcinoide clássica manifesta-se com flushing cutâneo, diarreia secretora, dor abdominal, broncoespasmo e valvulopatia cardíaca direita, especialmente estenose ou insuficiência tricúspide.
O 5-HIAA é o principal metabólito da serotonina, que é produzida em excesso pelos tumores carcinoides. A coleta urinária de 24 horas oferece uma avaliação mais precisa da excreção total, superando as flutuações séricas.
Os diferenciais incluem outras causas de diarreia crônica, feocromocitoma (pelo flushing), mastocitose sistêmica e síndromes paraneoplásicas. A combinação de sintomas e exames específicos ajuda a distinguir.
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