PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2022
Mulher de 53 anos relata que há um ano apresenta episódios paroxísticos recorrentes de rubor não pruriginoso na face, pescoço e tórax superior, de duração de cerca de um minuto e que melhora espontaneamente, associado a chieira torácica e palpitação (percepção de taquicardia regular) de curta duração. Há três meses, vem apresentando seis evacuações ao dia com fezes liquidas contendo muco, sem sangue ou pus, precedidas de dor abdominal em cólica que alivia após as evacuações. Nega febre ou emagrecimento. Sua última menstruação ocorreu há 18 meses. Ao exame, aparenta leve confusão mental. O exame cardiovascular revela ritmo cardíaco regular, movimento paraesternal inferior esquerdo da parece torácica, sopro holossistólico suave na mesma região, mais audível à inspiração, e sopro diastólico inicial, aspirativo e suave, audível ao longo da borda paraesternal esquerda. O pulso arterial está normal, e o pulso venoso central elevado com onda V gigante. O fígado está aumentado à palpação, de consistência aumentada e superfície nodular irregular. A pele apresenta áreas de hiperemia, hiperpigmentação e descamação na face, pescoço e antebraços. Há queilite angular e glossite. O diagnóstico MAIS PROVÁVEL para o quadro clínico apresentado por essa paciente é:
Rubor, diarreia, valvopatia direita, hepatomegalia → Síndrome Carcinoide (metástase hepática).
A síndrome carcinoide é causada pela liberação de substâncias vasoativas (principalmente serotonina) por tumores neuroendócrinos, geralmente com metástases hepáticas, manifestando-se com rubor, diarreia secretora, valvopatia cardíaca direita e, em casos avançados, sintomas de pelagra devido ao desvio do triptofano.
A síndrome carcinoide é um conjunto de sintomas causados pela liberação excessiva de substâncias vasoativas (principalmente serotonina, mas também bradicinina, histamina, prostaglandinas) por tumores neuroendócrinos (TNEs), mais comumente originados no intestino delgado. Para que a síndrome se manifeste clinicamente, geralmente é necessária a presença de metástases hepáticas, pois o fígado normalmente metaboliza essas substâncias antes que atinjam a circulação sistêmica. É uma condição rara, mas importante no diagnóstico diferencial de sintomas gastrointestinais e cardiovasculares atípicos. As manifestações clínicas são variadas e incluem rubor cutâneo paroxístico (face, pescoço, tórax), diarreia secretora crônica (com muco, sem sangue), dor abdominal em cólica, broncoespasmo (chieira), e cardiopatia carcinoide, que afeta predominantemente as válvulas do lado direito do coração (tricúspide e pulmonar), levando a estenose ou insuficiência. A hepatomegalia nodular sugere metástases hepáticas. Sintomas neurológicos como confusão mental e alterações cutâneas (hiperpigmentação, descamação, queilite angular, glossite) podem indicar deficiência de niacina (pelagra), devido ao desvio do triptofano (precursor da niacina e serotonina) para a produção excessiva de serotonina pelo tumor. O diagnóstico é feito pela suspeita clínica e confirmado por exames bioquímicos, como a dosagem de ácido 5-hidroxi-indolacético (5-HIAA) na urina de 24 horas, e por exames de imagem para localizar o tumor primário e suas metástases (cintilografia com análogos de somatostatina, TC, RM). O tratamento envolve o controle dos sintomas com análogos da somatostatina (octreotide, lanreotide), cirurgia para ressecção do tumor primário e metástases (se possível), e terapias direcionadas. O prognóstico depende da extensão da doença e da resposta ao tratamento.
As manifestações clássicas incluem rubor facial e cervical (episódico ou persistente), diarreia secretora crônica, dor abdominal, broncoespasmo (chieira), e cardiopatia carcinoide (fibrose das válvulas cardíacas direitas, como tricúspide e pulmonar).
Os tumores carcinoides primários (geralmente no intestino delgado) liberam substâncias vasoativas que são metabolizadas no fígado. A síndrome só se manifesta clinicamente quando há metástases hepáticas extensas, permitindo que essas substâncias (como serotonina) bypasssem o metabolismo hepático e atinjam a circulação sistêmica.
O principal marcador bioquímico é o ácido 5-hidroxi-indolacético (5-HIAA) na urina de 24 horas, que é um metabólito da serotonina. Outros exames incluem cromogranina A sérica e exames de imagem para localizar o tumor.
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