UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024
A nocividade do trabalho pode estar relacionada a insumos e matérias-primas, objetos, máquinas e ferramentas utilizados, que podem produzir lesões e situações de risco à saúde, como a presença de poeiras, substâncias químicas e agentes físicos perigosos ou nocivos. A organização do trabalho, expressa na duração, na intensidade, nas exigências de produtividade, na jornada de trabalho em turnos, no local de trabalho e nas relações conflituosas com a chefia e os colegas, pode causar sofrimento e adoecimento.QUAL O FATOR DE RISCO OCUPACIONAL COMUM, ASSOCIADO COM NEOPLASIA MALIGNA DE PULMÃO E SÍNDROME DE CAPLAN?
Síndrome de Caplan = Artrite Reumatoide + Nódulos de Pneumoconiose (Sílica/Carvão).
A exposição a poeiras minerais, como a sílica, é um fator de risco carcinogênico para o pulmão e predispõe ao desenvolvimento de nódulos reumatoides pulmonares (Caplan).
As pneumoconioses representam um grupo de doenças pulmonares causadas pela inalação de poeiras inorgânicas, sendo a silicose a mais prevalente no Brasil. Além do dano restritivo e fibrótico, a exposição à sílica está intrinsecamente ligada a um estado inflamatório crônico que favorece a carcinogênese pulmonar. A vigilância epidemiológica de trabalhadores expostos é crucial para a detecção precoce de alterações radiológicas. A Síndrome de Caplan ilustra a interação entre fatores ambientais e predisposição genética/autoimune. Embora menos comum hoje devido a melhores medidas de proteção individual e coletiva, ela permanece um marcador importante de gravidade em pacientes com artrite reumatoide expostos a ambientes insalubres.
A Síndrome de Caplan, também conhecida como pneumoconiose reumatoide, é a associação de nódulos pulmonares fibrosos em pacientes com artrite reumatoide que foram expostos a poeiras minerais, classicamente sílica ou carvão. Radiologicamente, manifesta-se como múltiplos nódulos periféricos bem definidos (0,5 a 5 cm) que podem surgir subitamente. É uma manifestação extra-articular rara da artrite reumatoide, refletindo uma resposta inflamatória exacerbada do hospedeiro à poeira inalada na presença de autoimunidade.
A sílica cristalina é classificada pelo IARC como um carcinógeno do Grupo 1 (confirmado para humanos). A inalação crônica de partículas de sílica causa inflamação persistente, produção de espécies reativas de oxigênio e danos ao DNA, além de fibrose progressiva (silicose). Pacientes com silicose têm um risco significativamente aumentado de desenvolver carcinoma broncogênico. O controle da exposição ocupacional é a única forma eficaz de prevenção, já que não existe tratamento curativo para a fibrose instalada.
O diagnóstico diferencial inclui tuberculose, sarcoidose, metástases e a própria fibrose maciça progressiva da silicose. Os nódulos de Caplan tendem a ser mais periféricos e podem cavitar. A história clínica é soberana: deve-se buscar evidências de artrite reumatoide (clínica ou sorológica com FR e anti-CCP positivos) e uma história ocupacional detalhada de exposição a minas, jateamento de areia ou indústrias de cerâmica e vidro.
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