UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2020
Mulher, 46 anos de idade, apresenta história de câncer de mama diagnosticado aos 35 anos de idade. Sua mãe apresentou câncer de ovário aos 40 anos de idade e faleceu cinco anos após o início do tratamento. A paciente tem duas tias maternas: uma faleceu por câncer de pâncreas aos 46 anos de idade, a outra tia não apresenta histórico de qualquer tipo de câncer. Este caso exemplifica uma síndrome que:
Câncer de mama/ovário/pâncreas familiar → suspeitar de variantes germinativas em genes supressores tumorais (ex: BRCA1/2).
O caso descreve um padrão de câncer familiar que sugere uma síndrome de predisposição hereditária, como a Síndrome de Câncer de Mama e Ovário Hereditário. Esta é causada por variantes patogênicas germinativas (herdadas) em genes supressores tumorais, como BRCA1 e BRCA2, e segue um padrão de herança autossômico dominante.
O caso clínico apresentado é um exemplo clássico de uma síndrome de predisposição hereditária ao câncer, caracterizada por múltiplos casos de câncer em uma família, com início precoce e diferentes tipos de tumores (mama, ovário, pâncreas). A alternativa correta aponta para variantes patogênicas germinativas em genes supressores tumorais, o que é o cerne da genética do câncer hereditário. Genes supressores tumorais, como BRCA1 e BRCA2, desempenham um papel crucial na reparação do DNA e na regulação do ciclo celular. Quando uma pessoa herda uma variante patogênica (mutação) em uma das cópias desses genes (variante germinativa), ela nasce com uma predisposição aumentada ao câncer. A segunda cópia do gene pode sofrer uma mutação somática ao longo da vida, levando à perda completa da função do gene e ao desenvolvimento do câncer. Este padrão de herança é tipicamente autossômico dominante. O rastreamento e a conduta para redução de morbimortalidade são essenciais nesses casos, envolvendo aconselhamento genético, exames de imagem mais frequentes e, em alguns casos, cirurgias profiláticas. Para residentes, é vital reconhecer os padrões de herança e as implicações clínicas das síndromes de câncer hereditário para oferecer o melhor manejo e aconselhamento aos pacientes e suas famílias.
São alterações genéticas herdadas (presentes em todas as células do corpo) em genes que normalmente controlam o crescimento celular e previnem o câncer. Quando mutados, aumentam significativamente o risco de desenvolver certos tipos de câncer.
Os genes BRCA1 e BRCA2 são os mais conhecidos e estudados, sendo responsáveis por uma parcela significativa dos casos de câncer de mama e ovário hereditários, além de aumentar o risco de câncer de pâncreas e próstata.
A maioria das síndromes de predisposição hereditária ao câncer, incluindo a Síndrome de Câncer de Mama e Ovário Hereditário, segue um padrão de herança autossômico dominante, o que significa que apenas uma cópia alterada do gene é suficiente para aumentar o risco.
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