UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022
Homem, 50a, casado, trabalha na mesma empresa há 20 anos, sendo 15 como técnico em telecomunicações. Há cinco anos, a empresa iniciou processo de reestruturação e o promoveu para o cargo de gerente. As novas atribuições incluem a demissão de muitos funcionários antigos e contratação de novos trabalhadores terceirizados para reduzir os custos da empresa. As sucessivas mudanças de diretrizes e metas da empresa, o levaram a trabalhar até mais tarde praticamente todos os dias, incluindo muitos fins de semana, para dar conta de seu trabalho. Nos últimos meses, tem se sentido extremamente cansado, ansioso, tenso e com episódios de insônia. Além da exaustão física e mental, sente que está sendo exigido além do seu limite emocional, tornando-se irritado e impaciente, ao contrário de como se sentia antes. Percebe que passou a evitar os colegas de trabalho e, até mesmo, alguns clientes. Não sente mais prazer nas atividades de trabalho tem dificuldade em tomar decisões, refere "brancos" de memória, desesperança e sentimento de desvalorização pessoal. Nas últimas semanas, manifestou vontade de morrer, o que o levou a buscar o serviço de saúde. TRATA-SE DE UM CASO DE:
Exaustão emocional, despersonalização e baixa realização profissional em contexto de estresse crônico = Síndrome de Burnout.
A Síndrome de Burnout é caracterizada por um estado de esgotamento físico e mental extremo, cinismo ou despersonalização em relação ao trabalho e uma sensação de ineficácia profissional, resultantes de estresse crônico no ambiente de trabalho. Os sintomas apresentados pelo paciente, incluindo ideação suicida, são consistentes com um quadro grave de Burnout.
A Síndrome de Burnout, ou esgotamento profissional, é um fenômeno ocupacional resultante do estresse crônico no ambiente de trabalho que não foi gerenciado com sucesso. Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na CID-11, não é classificada como uma condição médica, mas sim como um fenômeno relacionado ao trabalho. Sua prevalência tem aumentado, especialmente em profissões de alta demanda e responsabilidade, como a área da saúde. É crucial para residentes e profissionais de saúde reconhecerem seus sinais, tanto em si mesmos quanto em seus pacientes. A fisiopatologia envolve uma resposta prolongada ao estresse, levando a alterações neuroendócrinas e psicológicas. Os sintomas se manifestam em três dimensões principais: exaustão emocional (cansaço extremo, falta de energia), despersonalização ou cinismo (distanciamento e atitude negativa em relação ao trabalho e às pessoas) e baixa realização profissional (sentimento de ineficácia e falta de propósito). O caso clínico descreve vividamente esses sintomas, incluindo irritabilidade, evitação social, dificuldade de decisão, 'brancos' de memória, desesperança e ideação suicida, que indicam um quadro grave. O tratamento da Síndrome de Burnout envolve uma abordagem multifacetada. Inclui intervenções individuais (psicoterapia, técnicas de manejo de estresse, mudanças no estilo de vida) e organizacionais (redução da carga de trabalho, melhoria do ambiente de trabalho, apoio social). O prognóstico melhora com o reconhecimento precoce e a intervenção adequada. É fundamental que os profissionais de saúde estejam atentos a esses sinais para oferecer suporte e encaminhamento apropriado, prevenindo complicações graves como a depressão e a ideação suicida.
A Síndrome de Burnout é caracterizada por três dimensões principais: exaustão emocional (sentimento de esgotamento de energia), despersonalização ou cinismo (sentimentos negativos e distanciamento em relação ao trabalho e colegas) e baixa realização profissional (sensação de ineficácia e falta de propósito no trabalho).
Embora compartilhem sintomas como fadiga e anedonia, a Burnout é especificamente ligada ao contexto ocupacional, com sintomas focados no trabalho. A depressão é um transtorno de humor mais global, afetando todas as áreas da vida do indivíduo, não apenas o trabalho. No entanto, Burnout pode ser um fator de risco para depressão.
Fatores de risco incluem alta demanda de trabalho, falta de controle sobre as tarefas, recompensas insuficientes, injustiça organizacional, valores conflitantes, falta de apoio social no trabalho e desequilíbrio entre vida pessoal e profissional. O caso descrito ilustra vários desses fatores.
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