UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2016
M.R. é médico clínico no hospital público há 8 anos. É reconhecido por atuação dedicada e muito respeitado pelos profissionais da equipe da Unidade de Emergência Referenciada (UER). Nos últimos dois anos, a direção do hospital foi substituída por uma organização social. A coordenação colegiada da UER foi desfeita e um gestor, indicado pela empresa, apresentou os novos protocolos de funcionamento. Houve redução de 30% da equipe de profissionais e o Dr. M.R. aumentou a sua carga horária. Houve uma restrição do número de leitos do hospital e um aumento expressivo da dificuldade para internar pacientes da UER. Há 3 meses, o Dr. M.R. passou a apresentar sintomas de cansaço e insônia. Os colegas estranharam a sua irritabilidade, uma certa impaciência e distanciamento com os pacientes e com a própria equipe. O médico não tem vontade de sair com os colegas como fazia antes e ultimamente solicita ajuda da equipe para tomada de decisões de rotina. Para um colega mais próximo, confidenciou estar cansado e com vontade de largar tudo, porque o trabalho deixou de ser prazeroso. Cite as três características do diagnóstico ocupacional do médico:
Burnout médico = exaustão emocional, despersonalização e baixa realização profissional.
O caso do Dr. M.R. ilustra a Síndrome de Burnout, caracterizada por exaustão emocional (cansaço, insônia), despersonalização (irritabilidade, distanciamento) e baixa realização profissional (perda de prazer no trabalho, busca de ajuda para decisões rotineiras).
A Síndrome de Burnout é um fenômeno ocupacional resultante do estresse crônico no local de trabalho que não foi gerenciado com sucesso. É particularmente prevalente entre profissionais de saúde, incluindo médicos, devido às altas demandas, longas jornadas, pressão e contato constante com o sofrimento humano. O caso do Dr. M.R. é um exemplo clássico dos fatores de risco e manifestações dessa síndrome. O diagnóstico da Síndrome de Burnout é caracterizado por três dimensões principais: 1) Exaustão Emocional, que se manifesta como uma sensação de esgotamento físico e mental, fadiga crônica e falta de energia para lidar com as demandas do trabalho; 2) Despersonalização (ou cinismo), que envolve o desenvolvimento de uma atitude negativa, insensível ou distanciada em relação aos pacientes e colegas, tratando-os de forma impessoal; e 3) Baixa Realização Profissional, que é a sensação de ineficácia e falta de realização no trabalho, com diminuição da autoestima e do senso de propósito. É fundamental que residentes e profissionais de saúde estejam cientes dessas características para reconhecer o Burnout em si mesmos e em seus colegas, buscando intervenções precoces. O manejo envolve estratégias individuais de autocuidado, suporte institucional e, em alguns casos, acompanhamento psicológico ou psiquiátrico para evitar consequências graves na saúde do profissional e na qualidade do atendimento ao paciente.
Cansaço persistente, insônia, dificuldade de concentração, irritabilidade e sensação de esgotamento físico e mental são indicativos de exaustão emocional.
Despersonalização refere-se ao desenvolvimento de atitudes cínicas e distanciamento em relação aos pacientes, colegas e ao próprio trabalho, tratando-os como objetos.
A baixa realização profissional se manifesta como uma sensação de incompetência, falta de propósito, perda de satisfação com as conquistas e questionamento do valor do próprio trabalho.
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