Síndrome de Budd-Chiari: Manejo da IRA e Sobrecarga Volêmica

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Mulher jovem é internada no hospital com quadro de aumento importante do volume abdominal associado a dor difusa, além de edema em membros inferiores. Refere passado recente de úlceras labiais e vaginais, ocasião em que recebeu o diagnóstico de uma vasculite. Durante exames na internação, o estudo tomográfico contrastado do abdome demonstrava fígado aumentado de tamanho, de contorno regular, e ausência de opacificação das veias supra-hepáticas direita e média, além de ascite importante.Durante internação em unidade de terapia intensiva, a paciente evoluiu para intubação orotraqueal por rebaixamento do nível de consciência. A paciente apresentava hipotensão arterial com necessidade de administração de amina em dose baixa e mantida. Além disso, apresentava uma relação P/F de 80 com FiO2 de 80%, com balanço hídrico positivo em 4500ml nas últimas 72 horas, além de injúria renal aguda KDIGO estágio 3. Em exame ecocardiográfico à beira leito, evidenciou-se veia cava inferior na sua porção supra-hepática de calibre bastante reduzido.Levando-se em consideração a fisiopatogenia da complicação, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta terapêutica.

Alternativas

  1. A) Aumentar a hidratação venosa com solução cristaloide
  2. B) Aumentar a hidratação venosa com solução colóide
  3. C) Iniciar terapia substitutiva renal intermitente sem ultrafiltração
  4. D) Iniciar terapia substitutiva renal contínua com ultrafiltração
  5. E) Iniciar terapia substitutiva renal contínua sem ultrafiltração

Pérola Clínica

Budd-Chiari com sobrecarga volêmica e IRA grave → TRS contínua com ultrafiltração para estabilização.

Resumo-Chave

A paciente apresenta Síndrome de Budd-Chiari com grave sobrecarga volêmica (balanço hídrico positivo, SDRA, edema) e injúria renal aguda estágio 3, além de instabilidade hemodinâmica. Nesses casos, a terapia substitutiva renal contínua (CRRT) com ultrafiltração é a melhor opção para remover o excesso de volume e suportar a função renal, minimizando a instabilidade hemodinâmica.

Contexto Educacional

A Síndrome de Budd-Chiari é uma condição rara caracterizada pela obstrução do fluxo venoso hepático, geralmente por trombose das veias supra-hepáticas ou da veia cava inferior. Sua etiologia é variada, incluindo estados de hipercoagulabilidade, doenças mieloproliferativas e, como no caso, vasculites. O diagnóstico precoce é crucial, pois a progressão pode levar a cirrose, insuficiência hepática e hipertensão portal grave, sendo um desafio diagnóstico e terapêutico para residentes. A fisiopatologia envolve o aumento da pressão hidrostática nos sinusoides hepáticos, resultando em hepatomegalia, ascite e edema. A hipoperfusão renal secundária à ascite e à disfunção hepática pode levar à injúria renal aguda (IRA). Em pacientes críticos, a sobrecarga volêmica pode precipitar síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) e agravar a instabilidade hemodinâmica, exigindo manejo intensivo. O tratamento da Síndrome de Budd-Chiari é complexo e individualizado, incluindo anticoagulação, descompressão do sistema venoso hepático (ex: TIPS) e, em casos refratários, transplante hepático. No contexto de IRA e sobrecarga volêmica grave em paciente instável, a terapia substitutiva renal contínua (CRRT) com ultrafiltração é a conduta de escolha, pois permite a remoção gradual de fluidos e solutos, minimizando os riscos de instabilidade hemodinâmica associados à hemodiálise intermitente. É fundamental para a estabilização do paciente crítico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos e de imagem na Síndrome de Budd-Chiari?

A Síndrome de Budd-Chiari se manifesta com hepatomegalia, ascite, dor abdominal e edema de membros inferiores. Na tomografia ou ultrassonografia com Doppler, observa-se ausência de fluxo ou trombose nas veias supra-hepáticas e/ou veia cava inferior, com fígado aumentado e contorno regular.

Por que a terapia substitutiva renal contínua (CRRT) é preferível em pacientes com Budd-Chiari e instabilidade hemodinâmica?

A CRRT permite uma remoção de fluidos e solutos mais lenta e contínua, o que é crucial para pacientes hemodinamicamente instáveis, como os com choque e uso de aminas. Isso minimiza as flutuações de volume e eletrólitos, evitando piora da hipotensão e da perfusão orgânica.

Qual a relação entre vasculite e Síndrome de Budd-Chiari?

Alguns tipos de vasculite, especialmente aquelas que afetam vasos de médio e grande calibre, podem predispor à formação de trombos. A trombose das veias hepáticas e/ou da veia cava inferior é a causa da Síndrome de Budd-Chiari, e a vasculite pode ser um fator etiológico subjacente.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo