Síndrome de Budd-Chiari: Quando o Transplante Hepático é Indicado

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 51 anos, portador da síndrome de Budd-Chiari, submetido a derivação portossistêmica há 2 anos, procura atendimento médico por apresentar alteração discreta de comportamento e aumento do volume abdominal (ascite moderada). Na admissão, foram realizados os seguintes exames: bilirrubinas totais = 3,5 mg/dL; albumina = 2,8 g/dL; TAP = 8 segundos.Qual é a opção terapêutica mais indicada ao paciente?

Alternativas

  1. A) TIPS.
  2. B) Escleroterapia endoscópica seriada.
  3. C) Transplante hepático.
  4. D) Espironolactona, lactulose e betabloqueador.

Pérola Clínica

Budd-Chiari + encefalopatia + ascite refratária + disfunção hepática grave (Child-Pugh C) → Transplante Hepático.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais de descompensação hepática grave (encefalopatia, ascite refratária, icterícia, coagulopatia) apesar de uma derivação prévia para Budd-Chiari. Isso indica falha da terapia conservadora e progressão da doença hepática, tornando o transplante hepático a única opção curativa e mais indicada para melhorar a sobrevida e qualidade de vida.

Contexto Educacional

A síndrome de Budd-Chiari é uma condição rara caracterizada pela obstrução do fluxo venoso hepático, desde as pequenas veias hepáticas até a veia cava inferior. Pode levar à hipertensão portal e cirrose se não tratada. O manejo inicial geralmente envolve anticoagulação, descompressão da obstrução (angioplastia, stent) e, em casos selecionados, a criação de uma derivação portossistêmica intra-hepática transjugular (TIPS). É fundamental para residentes compreender a progressão da doença e as opções terapêuticas. O paciente do caso apresenta um quadro de descompensação hepática avançada, evidenciado pela alteração de comportamento (encefalopatia hepática), ascite moderada (provavelmente refratária, dado o tratamento prévio) e exames laboratoriais que indicam grave disfunção hepática (bilirrubina elevada, albumina baixa, TAP prolongado). Esses achados, especialmente a encefalopatia e a ascite, sugerem uma classificação Child-Pugh C ou um alto escore MELD, indicando doença hepática terminal. A derivação portossistêmica prévia falhou em controlar a progressão da doença. Nesse cenário de falha terapêutica e descompensação hepática grave, o transplante hepático torna-se a opção mais indicada e curativa. Outras alternativas, como TIPS (já realizado ou contraindicado pela gravidade da disfunção) ou escleroterapia (para varizes, não para a disfunção hepática global), não abordariam a falência hepática subjacente. O transplante oferece a melhor chance de sobrevida e melhora da qualidade de vida para pacientes com doença hepática terminal, sendo um procedimento complexo que exige avaliação rigorosa.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para indicar transplante hepático em pacientes com Budd-Chiari?

A indicação de transplante hepático ocorre quando há falha das terapias de primeira linha (anticoagulação, angioplastia, TIPS) e o paciente desenvolve descompensação hepática grave, como ascite refratária, encefalopatia hepática, icterícia progressiva ou coagulopatia, refletindo uma doença hepática terminal.

Como a encefalopatia hepática se manifesta e qual sua relevância na síndrome de Budd-Chiari?

A encefalopatia hepática se manifesta por alterações de comportamento, confusão mental, inversão do ciclo sono-vigília e, em casos graves, coma. Na síndrome de Budd-Chiari, sua presença indica grave disfunção hepática e é um critério importante para considerar o transplante, pois reflete a incapacidade do fígado de metabolizar toxinas.

Qual a importância da classificação Child-Pugh e do escore MELD na avaliação de pacientes com doença hepática?

A classificação Child-Pugh avalia a gravidade da cirrose com base em ascite, encefalopatia, bilirrubina, albumina e TAP, categorizando a doença em A, B ou C. O escore MELD (Model for End-Stage Liver Disease) utiliza bilirrubina, creatinina e INR para prever a mortalidade em 90 dias e priorizar pacientes para transplante hepático, sendo crucial na alocação de órgãos.

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