UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025
Homem negro, 45 anos, que possui como comorbidade anemia falciforme, desenvolve progressivamente, em dez dias, dor em abdômen superior, fadiga e aumento do volume abdominal. Apresentou um episódio de hematêmese sem comprometimento hemodinâmico. O paciente evoluiu com falência de terapia trombolítica com angioplastia percutânea aplicada e necessitou realizar cirurgia de descompressão hepática, que consiste no procedimento de:
Budd-Chiari refratário a angioplastia → Shunt porto-cava laterolateral para descompressão hepática.
A Síndrome de Budd-Chiari decorre da obstrução do fluxo de saída venoso hepático. Em casos agudos/subagudos refratários a medidas endovasculares, o shunt porto-cava laterolateral converte a veia porta em uma via de escoamento, aliviando a congestão sinusoidal.
A Síndrome de Budd-Chiari é uma complicação grave e rara em pacientes com anemia falciforme, decorrente da oclusão das veias hepáticas. A fisiopatologia envolve o aumento drástico da pressão sinusoidal, levando a congestão hepática, isquemia de hepatócitos e, eventualmente, insuficiência hepática aguda ou cirrose congestiva.\n\nQuando a terapia trombolítica e a angioplastia falham, a descompressão cirúrgica torna-se vital. O shunt porto-cava laterolateral é a técnica clássica de escolha, pois permite que a veia porta funcione como um dreno para o fígado congestionado. É fundamental diferenciar este procedimento de shunts seletivos (como o de Warren), que não teriam efeito na pressão sinusoidal hepática, sendo ineficazes para reverter a falência do órgão nesta síndrome.
É uma condição clínica resultante da obstrução do fluxo venoso hepático em qualquer nível, desde as pequenas veias hepáticas até a junção da veia cava inferior com o átrio direito. Em pacientes com anemia falciforme, o estado de hipercoagulabilidade e a estase favorecem fenômenos trombóticos. Clinicamente, manifesta-se pela tríade de dor abdominal, ascite e hepatomegalia.
Diferente dos shunts para varizes de esôfago, o objetivo no Budd-Chiari é a descompressão do parênquima hepático. O shunt porto-cava laterolateral transforma a veia porta em uma via de saída (fluxo hepatofugal). O sangue que entra no fígado pelas artérias hepáticas drena 'para trás' pela veia porta até o shunt, reduzindo a pressão sinusoidal e prevenindo a necrose centrolobular e a cirrose.
O manejo inicial inclui anticoagulação e tratamento da causa base. Se houver estenoses focais, a angioplastia percutânea com ou sem stent é a primeira escolha. O TIPS (Shunt Portossistêmico Intra-hepático Transjugular) é uma alternativa menos invasiva ao shunt cirúrgico, mas em casos de falha técnica ou indisponibilidade, a derivação porto-cava cirúrgica permanece o padrão para descompressão.
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