Síndrome de Brown-Séquard: Diagnóstico e Vias Medulares

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2019

Enunciado

Paciente masculino, 22 anos, encaminhado ao serviço de Pronto Socorro pelo Serviço Médico de Urgência (SAMU), vítima de acidente motociclístico há trinta minutos, tendo colidido com poste de energia elétrica. À admissão: regular estado geral; pressão arterial 90 x 55 mmHg; frequência cardíaca 60 batimentos por minuto; frequência respiratória 14 movimentos por minuto; consciente; contactuando, referindo dor precordial intensa. Escala de coma de Glasgow igual a 15. Ausência de motricidade em membro inferior direito e de sensibilidade abaixo do plano da sínfise púbica no membro inferior esquerdo. A lesão produziu hemisecção medular

Alternativas

  1. A) esquerda, acometendo o corno posterior cinzento da medula, a partir de T8.
  2. B) esquerda, acometendo os fascículos grácil e cuneiforme, a partir de T6.
  3. C) direita, acometendo os fascículos grácil e espinotalâmico, a partir de T10.
  4. D) direita, acometendo os tratos corticoespinais e espinotalâmico, a partir de T10.

Pérola Clínica

Brown-Séquard: Lesão medular unilateral → motor/propriocepção ipsilateral ↓, dor/temperatura contralateral ↓.

Resumo-Chave

A Síndrome de Brown-Séquard resulta de uma hemissecção medular, causando déficits neurológicos distintos. Há perda de motricidade e propriocepção ipsilateral à lesão (trato corticoespinal e fascículos posteriores) e perda de dor e temperatura contralateral à lesão (trato espinotalâmico lateral), devido ao cruzamento dessas vias em diferentes níveis.

Contexto Educacional

A Síndrome de Brown-Séquard é uma condição neurológica rara resultante de uma hemissecção (lesão unilateral) da medula espinhal, frequentemente causada por trauma (como o acidente motociclístico do caso), tumores, hérnias discais ou isquemia. Compreender suas manifestações clínicas é crucial para o diagnóstico e manejo de lesões medulares, sendo um tema recorrente em provas de residência médica. A fisiopatologia da síndrome envolve a interrupção de vias nervosas específicas em um lado da medula. O trato corticoespinal lateral, responsável pela motricidade voluntária, desce ipsilateralmente à lesão após cruzar no tronco cerebral, resultando em paralisia ou paresia ipsilateral. Os fascículos grácil e cuneiforme, que transmitem propriocepção e tato discriminativo, também ascendem ipsilateralmente, causando perda dessas sensibilidades no mesmo lado da lesão. Em contraste, o trato espinotalâmico lateral, que conduz dor e temperatura, cruza a medula espinhal um ou dois segmentos acima de sua entrada, ascendendo contralateralmente. Assim, uma lesão unilateral resulta em perda de dor e temperatura no lado oposto do corpo, abaixo do nível da lesão. No caso apresentado, a ausência de motricidade em membro inferior direito e de sensibilidade abaixo do plano da sínfise púbica no membro inferior esquerdo indica uma lesão medular direita. A perda motora direita aponta para o trato corticoespinal direito, e a perda sensitiva contralateral (dor/temperatura) esquerda aponta para o trato espinotalâmico lateral direito. A sínfise púbica está aproximadamente no nível de T10, o que sugere que a lesão é a partir desse segmento. O tratamento foca na estabilização da coluna, manejo da dor e reabilitação, com o prognóstico variando conforme a extensão e causa da lesão.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas clássicas da Síndrome de Brown-Séquard?

A Síndrome de Brown-Séquard é caracterizada por uma tríade de déficits: perda de motricidade ipsilateral à lesão (devido ao trato corticoespinal), perda de sensibilidade vibratória e proprioceptiva ipsilateral (devido aos fascículos grácil e cuneiforme), e perda de sensibilidade dolorosa e térmica contralateral à lesão (devido ao trato espinotalâmico lateral).

Como a localização da lesão medular afeta os déficits na Síndrome de Brown-Séquard?

A localização da lesão medular determina o nível dos déficits. A perda de motricidade e propriocepção ocorre ipsilateralmente e abaixo do nível da lesão. A perda de dor e temperatura ocorre contralateralmente e geralmente dois a três segmentos abaixo do nível da lesão, devido ao cruzamento das fibras do trato espinotalâmico na medula espinhal.

Por que a perda de motricidade é ipsilateral e a de dor/temperatura é contralateral na Síndrome de Brown-Séquard?

A perda de motricidade é ipsilateral porque o trato corticoespinal (via motora principal) cruza no tronco cerebral (decussação das pirâmides) antes de descer pela medula. A perda de dor e temperatura é contralateral porque o trato espinotalâmico lateral (via de dor e temperatura) cruza na medula espinhal, um ou dois segmentos acima de onde a informação sensorial entra, ascendendo pelo lado oposto da medula.

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