USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020
Mulher, de 23 anos de idade, procurou o Pronto-Socorro com a queixa de ""sensação estranha de fraqueza nas pernas"", também relata ""uma sensação de aperto, como uma faixa apertada na altura do eu umbigo"". Diz quer percebeu os sintomas há três dias, que inicialmente eram muito leves mas que pioraram progressivamente. Quando indagada, acha que também notou algum tipo de dificuldade para controlar a micção. O exame clínico geral está normal. O exame neurológico mostra paresia crural direita (força muscular grau 4), perda da sensibilidade vibratória e aneurestésica no membro inferior direito, diminuição da percepção dolorosa e térmica em membro inferior esquerdo, sinal de Babinski á direita, os reflexos patelar a aquileu á direita estão exaltados. Qual a topografia responsável pelos achados do exame neurológico?
Lesão medular unilateral (Brown-Séquard) → ipsilateral: paresia, perda vibratória/proprioceptiva; contralateral: perda térmica/dolorosa.
A síndrome de Brown-Séquard é caracterizada por uma hemissecção da medula espinhal. Os achados ipsilaterais (paresia, perda de propriocepção e vibração) ocorrem devido à lesão do trato corticoespinhal e da coluna posterior, que não decussam no nível medular. Os achados contralaterais (perda de dor e temperatura) resultam da lesão do trato espinotalâmico, que decussa na medula.
A Síndrome de Brown-Séquard é uma condição neurológica rara resultante de uma hemissecção da medula espinhal, frequentemente causada por trauma, tumores ou isquemia. É crucial para residentes e estudantes de medicina compreenderem a apresentação clínica para um diagnóstico topográfico preciso e manejo adequado. A compreensão da anatomia dos tratos medulares é fundamental. A fisiopatologia envolve a interrupção de três principais tratos: o trato corticoespinhal lateral (responsável pela motricidade voluntária), a coluna posterior (responsável pela propriocepção e sensibilidade vibratória) e o trato espinotalâmico lateral (responsável pela dor e temperatura). O trato corticoespinhal e a coluna posterior decussam em níveis superiores (tronco cerebral) ou não decussam na medula, resultando em déficits ipsilaterais. O trato espinotalâmico decussa na medula, causando déficits contralaterais. O tratamento depende da causa subjacente e pode incluir cirurgia para descompressão, corticosteroides para reduzir o edema e reabilitação. O prognóstico varia, mas muitos pacientes podem ter alguma recuperação funcional, especialmente se a intervenção for precoce. A identificação do nível da lesão, como a "sensação de faixa" no umbigo (T10), é um ponto chave para a localização.
A síndrome de Brown-Séquard é caracterizada por paresia e perda de sensibilidade vibratória e proprioceptiva ipsilaterais à lesão, e perda de sensibilidade dolorosa e térmica contralaterais à lesão, abaixo do nível da lesão.
A perda de dor e temperatura é contralateral porque o trato espinotalâmico, responsável por essas sensibilidades, decussa na medula espinhal, geralmente 1-2 segmentos acima do nível de entrada.
O nível da lesão é determinado pela faixa de hiperestesia ou dor no dermátomo correspondente, e pelo nível superior dos déficits sensoriais e motores. A "sensação de faixa" no umbigo (T10) indica o nível da lesão.
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