USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Homem de 21 anos, admitido após ferimento por arma de fogo em região cervical direita. Ao exame físico, apresentava via aérea pérvia, estando hemodinamicamente estável com pulso periférico presente e boa perfusão. Ao exame neurológico, apresentava escala de coma de Glasgow de 15, pupilas isocóricas, hemiparesia à direita grau 2, sinal de Babinski à direita. perda da sensibilidade proprioceptiva à direita e perda da sensibilidade termoalgésica à esquerda.Qual é o diagnóstico sindrômico?
Hemissecção medular (Brown-Séquard) → perda motora/proprioceptiva ipsilateral + perda termoalgésica contralateral.
O quadro clínico descrito (hemiparesia e perda proprioceptiva ipsilateral à lesão, e perda termoalgésica contralateral) é clássico da Síndrome de Brown-Séquard, que resulta de uma hemissecção da medula espinhal. Isso ocorre devido à decussação das vias sensitivas e motoras em diferentes níveis.
A Síndrome de Brown-Séquard é uma condição neurológica rara que resulta da hemissecção (lesão de metade) da medula espinhal. Geralmente é causada por trauma penetrante, como ferimentos por arma de fogo ou faca, mas também pode ser resultado de tumores, hérnias de disco, isquemia ou infecções. O reconhecimento desta síndrome é crucial para o diagnóstico topográfico da lesão medular e para o planejamento do manejo, embora o prognóstico de recuperação motora seja geralmente bom. O diagnóstico sindrômico é baseado em um conjunto de achados clínicos característicos que refletem a interrupção seletiva das vias ascendentes e descendentes. Ipsilateralmente à lesão, observa-se paralisia motora (devido à interrupção do trato corticoespinhal lateral) e perda da sensibilidade vibratória e proprioceptiva (devido à interrupção das colunas dorsais). Contralateralmente à lesão, há perda da sensibilidade dolorosa e térmica (devido à interrupção do trato espinotalâmico lateral), geralmente um ou dois segmentos abaixo do nível da lesão. O manejo inicial de um paciente com suspeita de Síndrome de Brown-Séquard, especialmente após trauma, envolve a estabilização da coluna vertebral, avaliação da via aérea e hemodinâmica, e investigação por imagem (ressonância magnética). O tratamento é direcionado à causa subjacente, podendo incluir cirurgia para descompressão medular ou remoção de corpos estranhos. A reabilitação intensiva é fundamental para maximizar a recuperação funcional.
A síndrome é caracterizada por paralisia motora e perda da sensibilidade vibratória e proprioceptiva ipsilateral à lesão, e perda da sensibilidade dolorosa e térmica contralateral à lesão, geralmente um ou dois níveis abaixo.
Isso ocorre porque o trato corticoespinhal lateral (motor) e as colunas dorsais (propriocepção, tato discriminativo) já decussaram no tronco encefálico e bulbo, respectivamente, antes de atingir o nível da medula espinhal onde ocorre a lesão.
A via espinotalâmica lateral, responsável pela dor e temperatura, decussa na própria medula espinhal, um ou dois segmentos acima do nível de entrada da raiz nervosa, antes de ascender. Assim, uma lesão unilateral na medula afeta as fibras que já cruzaram, resultando em déficit contralateral.
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