Síndrome de Brown-Séquard: Diagnóstico Topográfico Medular

HSL Copacabana - Hospital São Lucas Copacabana (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Mulher jovem (25 anos) procura atendimento de urgência queixando-se de “sensação esquisita” e fraqueza em membros inferiores. Está associada a uma sensação de “faixa em cinta” apertando na altura do seu umbigo. O início dos sintomas foi percebido há cerca de 2-3 dias, incialmente leves e que foram piorando progressivamente. Notou também dificuldade em controlar a micção. Exame neurológico revela paresia crural direita (força muscular grau 4), perda da propriocepção e sensibilidade vibratória no membro inferior direito, redução da sensibilidade dolorosa e térmica em membro inferior esquerdo, Babinsky à direita e reflexos patelar e aquileu aumentados à direita. Qual a topografia responsável pelos achados do exame neurológico?

Alternativas

  1. A) Decussação das pirâmides.
  2. B) Cauda equina.
  3. C) Medula espinhal cervical à direita.
  4. D) Medula torácica baixa à direita.
  5. E) Medula lombar baixa direita

Pérola Clínica

Síndrome de Brown-Séquard: Ipsilateral → motor, propriocepção, vibração; Contralateral → dor, temperatura.

Resumo-Chave

A síndrome de Brown-Séquard, causada por uma lesão hemimedular, apresenta achados neurológicos distintos. A paresia e a perda de propriocepção/sensibilidade vibratória ocorrem ipsilateralmente à lesão, enquanto a perda de sensibilidade dolorosa e térmica ocorre contralateralmente, devido à decussação das vias. O nível da lesão é determinado pelos sintomas sensitivos e motores.

Contexto Educacional

A Síndrome de Brown-Séquard é uma condição neurológica rara resultante de uma lesão que afeta metade da medula espinhal, geralmente por trauma, tumor ou isquemia. Sua importância clínica reside na capacidade de localizar precisamente a lesão com base nos achados do exame neurológico, o que é crucial para o diagnóstico e planejamento terapêutico. Clinicamente, a síndrome se manifesta com uma tríade de sintomas: perda motora (paresia ou paralisia) e perda de propriocepção e sensibilidade vibratória ipsilateral à lesão (devido à interrupção do trato corticoespinhal e das colunas posteriores, que não decussam no nível medular), e perda de sensibilidade dolorosa e térmica contralateral à lesão (devido à interrupção do trato espinotalâmico lateral, que decussa 1-2 segmentos acima do nível de entrada da raiz). A 'sensação em faixa' indica o nível sensitivo da lesão. O diagnóstico topográfico preciso é fundamental para guiar a investigação por imagem (ressonância magnética) e determinar a etiologia. O tratamento depende da causa subjacente, podendo incluir cirurgia para descompressão ou tratamento específico para condições inflamatórias ou infecciosas. O prognóstico varia, mas a recuperação funcional é possível, especialmente com reabilitação precoce.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos da Síndrome de Brown-Séquard?

Os sinais clássicos incluem perda motora (paresia/paralisia) e perda de propriocepção/sensibilidade vibratória ipsilateral à lesão, e perda de sensibilidade dolorosa/térmica contralateral à lesão.

Como diferenciar os déficits ipsilaterais e contralaterais na lesão medular?

Na Síndrome de Brown-Séquard, os déficits motores e de coluna posterior (propriocepção, vibração) são ipsilaterais à lesão, enquanto os déficits de trato espinotalâmico (dor, temperatura) são contralaterais, devido à decussação das vias.

Qual a importância do nível sensitivo na localização da lesão medular?

O nível sensitivo, como a sensação de 'faixa em cinta' ou um nível de perda de sensibilidade, ajuda a determinar a altura da lesão medular, pois corresponde ao dermátomo afetado no nível da lesão.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo