Síndrome de Brown-Séquard: Clínica e Neuroanatomia

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024

Enunciado

Homem, 33 anos, vitima de queda da escada de 1 metro, com trauma exclusivo em coluna cervical inferior e torácica, evolui com perda da motricidade do ombro para baixo a direita, e perda da sensibilidade térmica e dolorosa do ombro para baixo a esquerda. O provável diagnóstico é:

Alternativas

  1. A) tabes dorsalis.
  2. B) lesão do aqueduto medular.
  3. C) hemissecção da medula a direita.
  4. D) síndrome de Brown Sequa a esquerda. E) lesão do corno anterior da medula a direita.

Pérola Clínica

Hemissecção medular → Déficit motor/proprioceptivo ipsilateral + Perda termoalgésica contralateral.

Resumo-Chave

A síndrome resulta da lesão de metade da medula espinhal, afetando o trato corticoespinhal (motor) antes do cruzamento e o trato espinotalâmico (dor/temp) que já cruzou.

Contexto Educacional

A Síndrome de Brown-Séquard é um exemplo clássico de correlação neuroanatômica no trauma raquimedular. Ocorre mais frequentemente em traumas penetrantes (como ferimentos por arma branca), mas pode surgir em traumas contusos com fraturas luxações. O quadro clínico é marcado por uma dissociação sensorial: o paciente perde a força e a sensibilidade profunda (vibração e posição) do mesmo lado da lesão, enquanto perde a sensibilidade superficial (dor e temperatura) do lado oposto. O nível da lesão é determinado pelo nível do déficit motor e da perda de sensibilidade profunda. O manejo foca na estabilização da coluna, prevenção de lesões secundárias e reabilitação intensiva. É fundamental o exame neurológico detalhado seguindo a escala ASIA para documentar a extensão da lesão medular incompleta.

Perguntas Frequentes

Quais tratos são afetados na hemissecção medular?

Os principais tratos afetados são o corticoespinhal lateral (causando paralisia espástica ipsilateral abaixo da lesão), as colunas dorsais (perda de propriocepção e vibração ipsilateral) e o trato espinotalâmico lateral (perda de sensibilidade térmica e dolorosa contralateral).

Por que a perda termoalgésica é contralateral?

As fibras do trato espinotalâmico lateral, responsáveis pela dor e temperatura, cruzam para o lado oposto da medula espinhal através da comissura branca anterior quase imediatamente (dentro de 1 a 2 segmentos) após entrarem na medula. Assim, uma lesão à direita interrompe fibras que trazem informação do lado esquerdo do corpo.

Qual o prognóstico da Síndrome de Brown-Séquard?

Dentre as síndromes medulares incompletas, a de Brown-Séquard é a que apresenta o melhor prognóstico funcional. A maioria dos pacientes recupera a capacidade de deambular e o controle esfincteriano, embora o déficit motor fino possa persistir no lado ipsilateral à lesão.

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