UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2016
Paciente masculino, 35 anos, alcoolizado, é trazido ao pronto-socorro pela equipe do SAMU, após sofrer acidente automobilístico. Ao exame: imobilizado em prancha rígida, ventilando espontaneamente com saturação O2 95%, PA = 90 x 40 mmHg e FC = 100 bpm. Durante avaliação neurológica, é evidenciado paralisia de membro inferior direito com sensibilidade térmica e dolorosa preservadas, sinal de Babinski presente à direita, perda de sensibilidade térmica e dolorosa com nível sensitivo em T12, associado à preservação de força muscular em membro inferior esquerdo. Tais achados clínicos são compatíveis com o diagnóstico de:
Síndrome de Brown-Séquard → paralisia ipsilateral + perda térmica/dolorosa contralateral abaixo da lesão.
A Síndrome de Brown-Séquard, resultante de uma hemisseção medular, classicamente apresenta perda da função motora e proprioceptiva ipsilateral à lesão, enquanto a perda de sensibilidade térmica e dolorosa ocorre contralateralmente, devido ao cruzamento das vias espinotalâmicas.
A Síndrome de Brown-Séquard é uma lesão medular incompleta relativamente rara, geralmente causada por trauma penetrante ou compressão unilateral da medula espinhal. É crucial para o residente de emergência e neurologia reconhecer seus achados clínicos característicos, pois o diagnóstico precoce e o manejo adequado podem influenciar o prognóstico funcional do paciente. A compreensão das vias neurológicas é fundamental para interpretar os sinais. Clinicamente, a síndrome se manifesta por paralisia motora e perda da propriocepção e vibração (colunas posteriores) ipsilateral à lesão, e perda da sensibilidade térmica e dolorosa (trato espinotalâmico lateral) contralateral à lesão, abaixo do nível afetado. Acima do nível da lesão, pode haver uma faixa de hiperestesia ou anestesia. A avaliação neurológica detalhada é essencial para localizar a lesão e determinar a extensão do comprometimento. O tratamento inicial foca na estabilização do paciente, imobilização da coluna e manejo de possíveis lesões associadas. A descompressão cirúrgica pode ser indicada em casos de compressão medular. O prognóstico para recuperação funcional na Síndrome de Brown-Séquard é geralmente melhor do que em outras lesões medulares completas ou incompletas, especialmente no que tange à recuperação da marcha.
A Síndrome de Brown-Séquard é marcada por paralisia e perda de propriocepção ipsilateral à lesão, e perda de sensibilidade térmica e dolorosa contralateral à lesão, abaixo do nível afetado.
A paralisia ipsilateral ocorre devido à lesão da via corticoespinhal lateral, que já cruzou no tronco encefálico. A perda de dor e temperatura é contralateral porque a via espinotalâmica lateral cruza na medula espinhal, um ou dois segmentos acima de sua entrada.
A diferenciação se baseia na combinação única de déficits motores e sensitivos ipsilaterais e contralaterais. A síndrome anterior da medula, por exemplo, cursa com perda motora e sensitiva bilateral, poupando propriocepção.
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