Síndrome de Brown Congênita: Conduta e Diagnóstico

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 2 anos de idade é diagnosticado com a forma leve da síndrome de Brown congênita à direita. Não apresenta posição compensadora da cabeça, desvio na posição primária ou em infraversão, mas apresenta hipotropia direita de 10 DP em supraversão. Qual é a melhor conduta inicial?

Alternativas

  1. A) Observação.
  2. B) Injeção de corticóide na região da tróclea direita.
  3. C) Tenectomia da porção medial do músculo oblíquo superior direito.
  4. D) Recuo com transposição anterior do músculo oblíquo inferior direito.

Pérola Clínica

Brown leve sem desvio em posição primária ou torcicolo → Observação clínica.

Resumo-Chave

A Síndrome de Brown é uma restrição mecânica do tendão do oblíquo superior na tróclea. Casos leves, sem desvios na posição primária ou posição compensatória da cabeça, não exigem cirurgia imediata.

Contexto Educacional

A Síndrome de Brown, ou síndrome da bainha do tendão do oblíquo superior, caracteriza-se pela incapacidade de elevar o olho em adução devido a uma restrição no complexo tendão-tróclea. Pode ser congênita ou adquirida (inflamatória, traumática ou iatrogênica). Na forma congênita, a anomalia estrutural impede o deslizamento livre do tendão. Clinicamente, o paciente apresenta limitação da elevação em adução, podendo haver um estalido audível ou palpável durante a tentativa de movimento. A classificação em leve, moderada ou grave depende da presença de desvios em outras posições do olhar. O manejo conservador é a regra para casos que não afetam a visão binocular ou a postura cervical, reforçando a importância de um exame oftalmológico pediátrico minucioso.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para observação na Síndrome de Brown?

A observação é a conduta inicial preferencial em pacientes com a forma leve da Síndrome de Brown. Os critérios principais incluem a ausência de desvio (hipotropia) na posição primária do olhar, ausência de posição compensatória da cabeça (torcicolo) e ausência de desvio significativo em infraversão. Nesses casos, a restrição ocorre predominantemente em supraversão e não impacta o desenvolvimento visual binocular ou a estética funcional do paciente no dia a dia. O acompanhamento regular visa monitorar a estabilidade do quadro e garantir que não surjam sinais de descompensação que exijam intervenção cirúrgica futura.

Como diferenciar a Síndrome de Brown da paralisia do oblíquo inferior?

A diferenciação é fundamental e baseia-se principalmente no teste de ducção forçada e nos achados clínicos. Na Síndrome de Brown, há uma restrição mecânica à elevação em adução, e o teste de ducção forçada será positivo (haverá resistência ao elevar o olho passivamente). Já na paralisia do oblíquo inferior, o teste de ducção forçada é tipicamente negativo, pois o problema é inervacional/muscular e não mecânico. Além disso, na paralisia do oblíquo inferior, costuma haver hiperfunção do oblíquo superior ipsilateral, o que não é a regra na Síndrome de Brown clássica.

Quando a cirurgia é indicada na Síndrome de Brown?

A intervenção cirúrgica é reservada para casos moderados a graves. As indicações absolutas incluem a presença de hipotropia acentuada na posição primária do olhar, o que gera prejuízo estético e funcional, ou a presença de um torcicolo (posição compensatória da cabeça) significativo para manter a binocularidade. Outra indicação é o 'downshoot' severo em adução. As técnicas cirúrgicas visam o alongamento ou enfraquecimento do tendão do oblíquo superior, como a tenectomia, o uso de expansores de silicone ou a técnica de 'split-tendon', sempre com o risco inerente de causar uma paralisia iatrogênica do oblíquo superior.

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