Síndrome de Brown: Diagnóstico e Características Clínicas

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007

Enunciado

Os pais de uma criança de 3 anos de idade referem que ela apresenta, desde que começou a andar, “um modo estranho de olhar”. Nos antecedentes pessoais, o único fato relevante é uma queda da cama dos pais aos 10 meses de idade, sem maiores consequências. No exame da motilidade extrínseca, encontra-se ausência de elevação do OE somente em adução e variação alfabética em V. O diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Fratura de assoalho da órbita
  2. B) Síndrome de Möbius
  3. C) Paralisia de músculo oblíquo inferior
  4. D) Síndrome de Brown

Pérola Clínica

Brown = ↓ Elevação em adução + Teste de ducção passiva (+) para restrição mecânica.

Resumo-Chave

A Síndrome de Brown é um estrabismo restritivo causado por anomalias no tendão do oblíquo superior, impedindo o deslizamento livre pela tróclea.

Contexto Educacional

A Síndrome de Brown, também conhecida como síndrome da bainha do tendão do oblíquo superior, é uma forma de estrabismo restritivo. A fisiopatologia envolve o encurtamento, espessamento ou inflamação do tendão do oblíquo superior, o que impede sua excursão normal pela tróclea durante a tentativa de elevação em adução. Pode ser congênita ou adquirida (trauma ou inflamação). Clinicamente, o paciente apresenta a 'variação em V', onde a divergência aumenta na supraversão. O diagnóstico diferencial com a paralisia do oblíquo inferior é crucial, sendo o teste de ducção passiva sob anestesia ou no consultório o padrão-ouro para confirmar a restrição mecânica típica de Brown.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a Síndrome de Brown?

A Síndrome de Brown é caracterizada pela incapacidade ou limitação severa de elevar o olho quando este se encontra em posição de adução. Isso ocorre devido a uma restrição mecânica no tendão do músculo oblíquo superior, que não consegue deslizar adequadamente através da tróclea. Diferente de paralisias musculares, o teste de ducção passiva é positivo, confirmando a natureza restritiva da condição.

Como diferenciar Brown de paralisia do oblíquo inferior?

Na paralisia do oblíquo inferior, há uma fraqueza muscular e o teste de ducção passiva é negativo (o olho pode ser movido passivamente). Na Síndrome de Brown, a causa é mecânica/restritiva, o teste de ducção passiva é positivo (resistência ao movimento) e raramente há hiperfunção do oblíquo superior associada, o que é comum nas paralisias.

Qual a conduta na Síndrome de Brown na infância?

A maioria dos casos é de observação, especialmente se a criança mantiver a visão binocular e não apresentar torcicolo compensatório significativo. A intervenção cirúrgica é reservada para casos com desvio em posição primária do olhar, torcicolo acentuado ou quando a restrição impede o desenvolvimento visual normal.

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