Síndrome de Brown: Diagnóstico e Teste de Ducção Passiva

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2006

Enunciado

Com relação a síndrome de Brown, podemos afirmar que:

Alternativas

  1. A) Apresenta limitação de elevação em abdução
  2. B) O teste de ducção passiva é positivo para elevação em adução
  3. C) Tem sempre indicação cirúrgica
  4. D) O torcicolo que o paciente adota é com a depressão do mento

Pérola Clínica

Brown = ↓ elevação em adução + ducção passiva positiva (restrição).

Resumo-Chave

A Síndrome de Brown é um estrabismo restritivo causado por uma anomalia no tendão do oblíquo superior, impedindo a elevação do olho quando este está em adução.

Contexto Educacional

A Síndrome de Brown é um exemplo clássico de estrabismo restritivo. Clinicamente, o paciente apresenta uma incapacidade de elevar o olho afetado quando este está em adução (olhando para o nariz), mas a elevação pode ser normal ou quase normal em abdução. Isso ocorre porque, em adução, o tendão do oblíquo superior atinge seu limite de extensão máxima; se houver restrição na tróclea, o olho fica 'preso'. O teste de ducção passiva sob anestesia é o padrão-ouro para confirmar o diagnóstico, diferenciando restrições mecânicas de paralisias neurogênicas. O torcicolo compensatório, quando presente, geralmente envolve a elevação do queixo e inclinação da cabeça para o lado afetado para manter a binocularidade. O manejo exige uma avaliação cuidadosa da motilidade ocular e da presença de visão estereoscópica.

Perguntas Frequentes

O que causa a Síndrome de Brown?

A Síndrome de Brown, ou síndrome da bainha do tendão do oblíquo superior, é causada por uma incapacidade do tendão do músculo oblíquo superior de deslizar livremente através da tróclea. Isso pode ser congênito (devido a um tendão curto ou inelástico) ou adquirido (inflamação, trauma ou cirurgia na região troclear). Como o oblíquo superior precisa relaxar e alongar para permitir que o olho se eleve em adução, qualquer restrição nesse movimento resulta na limitação característica observada no exame clínico.

Como diferenciar a Síndrome de Brown da paralisia do oblíquo inferior?

Esta é uma distinção clássica em provas. Na Síndrome de Brown, a limitação da elevação é mais acentuada em adução e o teste de ducção passiva é POSITIVO (o examinador sente resistência física ao tentar elevar o olho do paciente com uma pinça). Na paralisia do oblíquo inferior, a limitação também ocorre em adução, mas o teste de ducção passiva é NEGATIVO, pois o problema é a falta de força muscular (inervação), e não uma trava mecânica. Além disso, na Síndrome de Brown, pode haver um 'downshoot' (depressão) do olho em adução.

Qual o tratamento indicado para a Síndrome de Brown?

O tratamento nem sempre é cirúrgico. Muitos casos congênitos são estáveis e não apresentam torcicolo significativo ou perda de visão binocular, podendo ser apenas observados. A cirurgia é indicada quando há torcicolo acentuado, hipotropia no olhar primário ou diplopia. As técnicas cirúrgicas visam enfraquecer o tendão do oblíquo superior, como a tenotomia ou o uso de expansores de tendão (ex: silicone). Em casos adquiridos inflamatórios (como na artrite reumatoide), o tratamento com corticosteroides locais ou sistêmicos pode ser eficaz.

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