PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2015
Chega ao pronto-socorro paciente gestante do primeiro trimestre com vômitos em grande quantidade há uma semana. No dia do atendimento refere quadro de dor torácica, seguido por dispneia intensa. Ao exame: pressão arterial de 105 x 65 mmHg; frequência cardíaca de 110 bpm; temperatura de 37ºC e frequência respiratória de 24 respirações por irpm. No hemitórax esquerdo notaram-se estertores que são sincrônicos com os batimentos cardíacos. O resto do exame físico foi considerado normal. Frente a esses achados semiológicos, o diagnóstico mais CORRETO é:
Vômitos intensos + dor torácica + dispneia + sinal de Hamman (estertores sincrônicos) → Síndrome de Boerhaave.
A síndrome de Boerhaave é uma ruptura esofágica espontânea, frequentemente precipitada por vômitos intensos. O sinal de Hamman (crepitação sincrônica com os batimentos cardíacos) é patognomônico de pneumomediastino, uma complicação comum da ruptura esofágica.
A Síndrome de Boerhaave é uma condição rara, mas grave, caracterizada pela ruptura espontânea do esôfago, geralmente após um aumento súbito da pressão intraesofágica, como ocorre em vômitos intensos. É mais comum na porção distal do esôfago, no lado esquerdo. A gestação, com seus episódios de hiperêmese gravídica, pode ser um fator precipitante. Os sintomas incluem dor torácica súbita e intensa, dispneia e, por vezes, dor abdominal ou epigástrica. O exame físico pode revelar taquicardia, taquipneia e, classicamente, o sinal de Hamman: crepitação ou estertores sincrônicos com os batimentos cardíacos, audíveis no precórdio, indicando pneumomediastino. O diagnóstico precoce é crucial, pois a mediastinite resultante do extravasamento de conteúdo gástrico e salivar para o mediastino tem alta mortalidade. A confirmação é feita por exames de imagem como radiografia de tórax (pneumomediastino, derrame pleural), tomografia computadorizada (ar no mediastino, espessamento esofágico) e esofagografia com contraste hidrossolúvel. O tratamento é cirúrgico, com reparo da ruptura, e antibioticoterapia.
Os sintomas clássicos da Síndrome de Boerhaave incluem dor torácica súbita e intensa, dispneia e, frequentemente, histórico de vômitos intensos. Pode haver também dor epigástrica ou abdominal.
O sinal de Hamman é a presença de crepitação ou estertores sincrônicos com os batimentos cardíacos, audíveis no precórdio. É um sinal patognomônico de pneumomediastino, indicando a presença de ar no mediastino, comum na ruptura esofágica.
A Síndrome de Boerhaave se diferencia pelo histórico de vômitos intensos e pela presença do sinal de Hamman. Embora a dor torácica seja comum a outras condições como dissecção aórtica ou TEP, a combinação desses achados é altamente sugestiva de ruptura esofágica.
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