FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2020
Paciente 85 anos com diagnóstico já firmado de neoplasia de cabeça de pâncreas. Já em tratamento paliativo. Refere dor epigástrica importante e episódios de vômitos de repetição. Devido ao quadro de piora clínica importante necessitou de suporte intensivo. Durante o internamento apresentou enfisema subcutâneo. Submetido à protocolo de dor torácica sem alterações nos exames, exceto radiografia com padrão duvidoso. Optado pela realização de Tomografia de tórax (a seguir). A respeito do caso:
Vômitos intensos + dor torácica + enfisema subcutâneo = Síndrome de Boerhaave (ruptura esofágica).
A Síndrome de Boerhaave é uma ruptura esofágica espontânea, geralmente associada a vômitos intensos, que leva à tríade clássica de dor torácica, vômitos e enfisema subcutâneo. A presença de pneumomediastino na tomografia confirma a extravasamento de ar para o mediastino, altamente sugestivo de perfuração esofágica.
A Síndrome de Boerhaave representa uma ruptura esofágica espontânea, geralmente decorrente de um aumento súbito e intenso da pressão intraesofágica, como ocorre em vômitos violentos. Embora rara, é uma emergência médica com alta mortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. A maioria das rupturas ocorre na parede posterolateral do esôfago distal, logo acima do diafragma. É fundamental para estudantes e profissionais de medicina reconhecer essa condição devido à sua gravidade. A fisiopatologia envolve o aumento da pressão intraluminal esofágica contra um esfíncter esofágico superior fechado, resultando em uma ruptura transmural. Os achados clínicos clássicos incluem a tríade de Mackler: vômitos, dor torácica retroesternal severa e enfisema subcutâneo. A suspeita diagnóstica é reforçada pela presença de pneumomediastino em exames de imagem, como a radiografia de tórax e, principalmente, a tomografia computadorizada. O diagnóstico diferencial inclui infarto agudo do miocárdio, pancreatite aguda e outras causas de dor torácica. O tratamento da Síndrome de Boerhaave é uma emergência cirúrgica na maioria dos casos, visando o fechamento da perfuração e a drenagem do mediastino para prevenir mediastinite e sepse. Em casos selecionados e com diagnóstico muito precoce, o manejo conservador pode ser considerado. O prognóstico depende diretamente do tempo entre a ruptura e o início do tratamento; atrasos aumentam significativamente a morbidade e mortalidade. A atenção a pacientes com vômitos de repetição e dor torácica é um ponto crucial para o reconhecimento desta condição grave.
A Síndrome de Boerhaave é caracterizada pela tríade de Mackler: vômitos intensos, dor torácica retroesternal severa e enfisema subcutâneo. Outros achados incluem dispneia, taquicardia e, em casos avançados, sinais de sepse.
O pneumomediastino, que é a presença de ar no mediastino, é um achado radiológico comum na Síndrome de Boerhaave. Ele ocorre devido ao extravasamento de ar da ruptura esofágica para os tecidos mediastinais, sendo um forte indicativo de perfuração.
O diagnóstico precoce é crucial na ruptura esofágica, pois o extravasamento de conteúdo gástrico e salivar para o mediastino pode levar rapidamente a mediastinite grave, sepse e choque, com alta taxa de mortalidade se o tratamento for atrasado.
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