SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2023
Uma paciente de 48 anos chega ao hospital com relato de vômitos frequentes há 1 dia, progredindo para dor intensa em região subesternal nas últimas horas. Com base no caso clínico e nos conhecimentos médicos correlacionados, julgue o item a seguir. O diagnóstico de uma possível perfuração esofágica pode ser feito por meio de uma radiografia do tórax, que pode demonstrar um hidropneumotórax, ou de uma esofagografia com contraste.
Vômitos intensos + Dor retroesternal + Hidropneumotórax = Síndrome de Boerhaave (Perfuração Esofágica).
A perfuração esofágica espontânea (Boerhaave) é uma emergência cirúrgica onde o diagnóstico por imagem (RX ou contraste) é crucial para evitar a mediastinite.
A perfuração esofágica é uma das causas mais letais de dor torácica. A Síndrome de Boerhaave ocorre tipicamente na parede posterolateral esquerda do esôfago distal, logo acima do diafragma. O diagnóstico precoce (nas primeiras 24 horas) é o principal determinante do prognóstico, permitindo o reparo cirúrgico primário. O item aborda corretamente os métodos diagnósticos: a radiografia de tórax como triagem inicial (mostrando hidropneumotórax ou pneumomediastino) e a esofagografia contrastada como padrão-ouro para confirmação da solução de continuidade na parede esofágica. O manejo envolve jejum, antibioticoterapia de amplo espectro, inibidores de bomba de prótons e, na maioria dos casos, intervenção cirúrgica ou endoscópica.
A Síndrome de Boerhaave é a ruptura transmural espontânea do esôfago, geralmente causada por um aumento súbito da pressão intraesofágica contra uma glote fechada durante vômitos vigorosos. A tríade clássica de Mackler consiste em: vômitos, dor torácica retroesternal súbita e enfisema subcutâneo. É uma condição gravíssima devido ao extravasamento de conteúdo gástrico para o mediastino, levando à mediastinite química e bacteriana.
Na radiografia de tórax, os achados podem incluir pneumomediastino (ar ao redor do coração ou grandes vasos), enfisema subcutâneo cervical, derrame pleural (geralmente à esquerda) e hidropneumotórax. O sinal de V de Naclerio (ar entre a pleura parietal e o diafragma) também pode ser visto. No entanto, o RX pode ser normal nas primeiras horas, exigindo alto índice de suspeição clínica.
A esofagografia com contraste é o exame confirmatório de escolha para localizar o local e a extensão da perfuração. Recomenda-se iniciar com contraste hidrossolúvel (Gastrografin), pois o bário pode causar uma resposta inflamatória intensa (granulomatosa) no mediastino. Se o exame com contraste hidrossolúvel for negativo mas a suspeita persistir, pode-se proceder ao estudo com bário, que possui maior sensibilidade para pequenas perfurações.
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