Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019
Um paciente de 45 anos de idade foi ao serviço de emergência com história de vômitos múltiplos e dor torácica há três dias. Evoluiu com febre e dor epigástrica. Ao exame físico, encontrava-se em regular mau estado geral, desidratado, pálido, com enfisema cervical, taquicárdico e taquipneico. A ausculta pulmonar mostrou redução do murmúrio vesicular em hemitórax esquerdo e submacicez à percussão da metade inferior do hemitórax esquerdo. O abdome apresentou-se com discreta dor à palpação em epigástrio. A radiografia de tórax mostrou um discreto pneumomediastino e derrame pleural de aproximadamente metade do hemitórax esquerdo. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta.
Síndrome de Boerhaave: Vômitos + dor torácica + enfisema cervical → suspeitar de perfuração esofágica.
A Síndrome de Boerhaave é uma emergência médica grave caracterizada pela ruptura espontânea do esôfago, geralmente após vômitos intensos. A tríade clássica de Mackler (vômitos, dor torácica e enfisema subcutâneo) é altamente sugestiva, e a confirmação diagnóstica é feita por esofagograma com contraste hidrossolúvel.
A Síndrome de Boerhaave representa a ruptura espontânea do esôfago, uma condição rara, mas com alta morbimortalidade. Geralmente ocorre após um aumento súbito da pressão intraesofágica, como em vômitos intensos, e é mais comum no terço distal do esôfago. O reconhecimento precoce é fundamental para um desfecho favorável, sendo um tópico importante para a residência médica devido à sua gravidade e desafio diagnóstico. Clinicamente, a tríade de Mackler (vômitos, dor torácica e enfisema subcutâneo) deve levantar forte suspeita. Achados radiográficos como pneumomediastino e derrame pleural, especialmente à esquerda, reforçam a hipótese. O diagnóstico é confirmado por esofagograma com contraste hidrossolúvel, que visualiza o extravasamento. A tomografia de tórax também é útil para avaliar a extensão da lesão e a presença de coleções. O tratamento é uma emergência cirúrgica, visando o fechamento da perfuração e drenagem de coleções, além de suporte clínico intensivo com antibióticos de amplo espectro. O prognóstico depende diretamente da rapidez do diagnóstico e intervenção, com atrasos aumentando significativamente a mortalidade. É crucial para o residente estar apto a identificar essa condição e iniciar a investigação e manejo adequados.
Os sinais clássicos incluem vômitos intensos seguidos de dor torácica súbita e intensa, dor epigástrica e, em muitos casos, enfisema subcutâneo cervical. Pode haver também taquicardia, taquipneia e sinais de derrame pleural.
O esofagograma com contraste hidrossolúvel é o exame de escolha para confirmar a perfuração esofágica, demonstrando o extravasamento do contraste. A tomografia computadorizada de tórax também pode mostrar pneumomediastino, derrame pleural e espessamento esofágico.
A perfuração esofágica leva ao extravasamento de conteúdo gástrico e salivar para o mediastino e cavidade pleural, causando mediastinite e empiema, que podem evoluir rapidamente para sepse e choque, com alta taxa de mortalidade se o tratamento não for imediato.
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