UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Mulher, 70a, vem ao serviço com queixa de perda urinária durante orgasmo na relação sexual, há dois anos. Iniciou tratamento para perda urinária, mas interrompeu a medicação após três meses, por apresentar piora dos sintomas de demência. Antecedentes pessoais: G3C3, casada, com vida sexual ativa, menopausa aos 50 anos, sem terapia hormonal; demência leve em tratamento. Exame ginecológico: ausência de prolapsos, manobra de Valsalva negativa, sem outras alterações. O DIAGNÓSTICO E A PROVÁVEL MEDICAÇÃO QUE A PACIENTE FEZ USO SÃO:
Perda urinária orgásmica + piora demência com medicação → Bexiga hiperativa + anticolinérgico (Oxibutinina).
A perda urinária durante o orgasmo é um sintoma atípico que pode indicar hiperatividade do detrusor. Em pacientes idosas com demência, o uso de anticolinérgicos como a oxibutinina deve ser evitado ou monitorado de perto devido ao risco de exacerbar o declínio cognitivo.
A síndrome da bexiga hiperativa é uma condição comum em idosos, caracterizada por urgência urinária, com ou sem incontinência, frequência e noctúria. Tem um impacto significativo na qualidade de vida e pode levar a quedas e isolamento social. O diagnóstico é clínico, baseado na história detalhada e exame físico, incluindo avaliação ginecológica para excluir outras causas. Em pacientes idosos, especialmente aqueles com comprometimento cognitivo como a demência, a escolha do tratamento farmacológico é crucial. Medicamentos anticolinérgicos, como a oxibutinina, são eficazes no tratamento da bexiga hiperativa, mas seus efeitos antimuscarínicos podem atravessar a barreira hematoencefálica, exacerbando o declínio cognitivo e causando outros efeitos adversos como boca seca e constipação. A mirabegrona, um agonista beta-3 adrenérgico, representa uma alternativa com menor risco de efeitos cognitivos, sendo uma opção mais segura para pacientes com demência. Além da farmacoterapia, modificações comportamentais, como treinamento vesical e exercícios do assoalho pélvico, são componentes importantes do manejo. O acompanhamento multidisciplinar é fundamental para otimizar os resultados e minimizar os riscos.
A síndrome da bexiga hiperativa é caracterizada por urgência urinária, com ou sem incontinência de urgência, geralmente acompanhada de frequência urinária e noctúria. A perda urinária durante o orgasmo, embora menos comum, pode ser um sintoma de hiperatividade do detrusor.
A oxibutinina é um anticolinérgico que pode atravessar a barreira hematoencefálica e bloquear receptores muscarínicos no cérebro. Em idosos, especialmente aqueles com demência, isso pode levar a efeitos adversos cognitivos, como confusão, piora da memória e delírio.
Para pacientes com demência, a mirabegrona, um agonista beta-3 adrenérgico, é uma alternativa preferível à oxibutinina, pois atua de forma diferente e tem menor risco de efeitos adversos cognitivos. Outras opções incluem terapia comportamental e exercícios para o assoalho pélvico.
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