Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026
A incontinência urinária é definida como qualquer perda involuntária de urina. As estimativas de prevalência são variadas, devido à dificuldade de definição, populações usadas, idade e outros fatores envolvidos nos estudos. Estima-se que afete um terço das mulheres durante a sua vida e com repercussões muitas vezes importantes na qualidade de vida. Sobre essa patologia, é CORRETO afirmar:
Bexiga hiperativa = Urgência miccional (obrigatório) ± Incontinência, na ausência de infecção ou causas óbvias.
A bexiga hiperativa é uma síndrome clínica definida pela urgência miccional, frequentemente acompanhada de polaciúria e nictúria, com ou sem incontinência de urgência.
A incontinência urinária (IU) é uma condição prevalente que impacta profundamente a qualidade de vida biopsicossocial da mulher. A diferenciação entre IU de Esforço (perda ao tossir/espirrar), IU de Urgência (associada à bexiga hiperativa) e IU Mista é essencial para o direcionamento terapêutico. Enquanto a IU de esforço frequentemente requer reforço anatômico (fisioterapia ou cirurgia de sling), a bexiga hiperativa é manejada primariamente com terapia comportamental e anticolinérgicos ou mirabegrona. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado em anamnese detalhada e diário miccional. O estudo urodinâmico, embora útil, não é obrigatório para todas as pacientes, sendo reservado para casos de falha ao tratamento inicial, sintomas mistos ou quando se planeja intervenção cirúrgica para confirmar a fisiopatologia da perda urinária.
A síndrome da bexiga hiperativa é um diagnóstico clínico caracterizado pela urgência miccional (desejo súbito e imperioso de urinar, difícil de adiar). Geralmente vem acompanhada de aumento da frequência urinária diurna e nictúria. Pode ou não haver incontinência urinária de urgência associada. É fundamental que esses sintomas ocorram na ausência de infecção do trato urinário (ITU) ou outras patologias locais, como tumores vesicais ou cálculos.
Os fatores de risco são multifatoriais e incluem idade avançada, paridade (número de partos), obesidade, tabagismo, deficiência estrogênica na menopausa e histórico familiar. A obesidade, especificamente, aumenta a pressão intra-abdominal, sobrecarregando a musculatura do assoalho pélvico e os mecanismos de suporte da uretra, sendo um fator de risco isolado e modificável de grande importância clínica.
O tratamento conservador é a primeira linha para a maioria das pacientes. Inclui modificações no estilo de vida (perda de peso, redução de cafeína e fumo), treinamento vesical e fisioterapia do assoalho pélvico (exercícios de Kegel). Essas intervenções apresentam alta eficácia, baixo custo e ausência de efeitos colaterais graves, devendo sempre preceder intervenções farmacológicas ou cirúrgicas em casos não complicados.
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