Manifestações Cutâneas de Doenças Sistêmicas: Guia Essencial

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020

Enunciado

No que se refere às manifestações cutâneas das doenças sistêmicas, assinale a alternativa considerada INCORRETA:

Alternativas

  1. A) A acantose nigricante em crianças está fortemente vinculada à resistência a insulina e à diabetes, e no adulto pode estar associada a adenocarcinoma gástrico;
  2. B) No paciente diabético as manifestações cutâneas são necrobiose lipoidica, dermopatia diabética, bullosis diabeticorum, granuloma anular, escleredema, dermatose perfurante adquirida, xantoma eruptivo e úlcera neuropática da perna;
  3. C) Na síndrome de Behçet o comprometimento mucoso é considerado raro, ao contrário das manifestações articulares caracterizadas pela artrite/sinovite e oculares determinadas pela presença de uveíte anterior e posterior;
  4. D) São manifestações do hipertireoidismo: mixedema, aumento das incidências de alopecia areata e vitiligo, hiperpigmentação, prurido, hiper- hidrose, onicólise, coiloniquia e mixedemapré-tibial;
  5. E) Algumas das manifestações cutâneas podem ser o reflexo de malignidades internas provocadas ação de fatores imunológicas, metabólicas ou metastáticas das células neoplásicas;

Pérola Clínica

Síndrome de Behçet: úlceras orais e genitais recorrentes, uveíte e lesões cutâneas são manifestações comuns; comprometimento mucoso NÃO é raro.

Resumo-Chave

A alternativa C está incorreta porque a Síndrome de Behçet é caracterizada por úlceras mucosas recorrentes (orais e genitais), sendo o comprometimento mucoso uma de suas manifestações mais proeminentes e critério diagnóstico. As manifestações articulares e oculares também são importantes.

Contexto Educacional

As manifestações cutâneas são frequentemente a primeira pista para o diagnóstico de doenças sistêmicas, tornando seu reconhecimento crucial para médicos de diversas especialidades. A pele atua como um espelho da saúde interna, e alterações dermatológicas podem indicar condições metabólicas, autoimunes, infecciosas ou neoplásicas. Residentes devem estar aptos a identificar essas correlações. A acantose nigricante, por exemplo, é um marcador importante de resistência à insulina e diabetes, e em adultos, pode sinalizar uma paraneoplasia. O diabetes mellitus, por sua vez, apresenta um espectro de alterações cutâneas que vão desde a necrobiose lipoídica até úlceras neuropáticas, refletindo o dano microvascular e neurológico. O hipertireoidismo também se manifesta na pele com mixedema pré-tibial, onicólise e aumento da incidência de doenças autoimunes como vitiligo. A Síndrome de Behçet é uma vasculite sistêmica que se destaca por seu comprometimento mucocutâneo, ocular e articular. A presença de úlceras orais e genitais recorrentes é uma característica definidora e não rara, ao contrário do que a alternativa incorreta sugere. O conhecimento aprofundado dessas correlações é essencial para o diagnóstico precoce e manejo adequado das doenças sistêmicas, impactando diretamente o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais manifestações cutâneas do diabetes mellitus?

As manifestações cutâneas do diabetes incluem necrobiose lipoídica, dermopatia diabética, bullosis diabeticorum, granuloma anular, escleredema, dermatose perfurante adquirida, xantoma eruptivo e úlceras neuropáticas, refletindo o impacto da doença na pele e vasos.

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome de Behçet?

Os critérios diagnósticos para a Síndrome de Behçet incluem úlceras orais recorrentes, úlceras genitais recorrentes, lesões oculares (uveíte), lesões cutâneas (eritema nodoso, pseudofoliculite) e teste de patergia positivo, sendo uma doença inflamatória multissistêmica.

Como a acantose nigricante se relaciona com doenças sistêmicas?

A acantose nigricante, caracterizada por hiperpigmentação e espessamento da pele, especialmente em dobras, pode estar associada à resistência à insulina e diabetes em crianças e adultos jovens, e a malignidades internas, como adenocarcinoma gástrico, em adultos mais velhos.

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